Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 23/09/2019
A preocupação com o saneamento básico está inserida desde a época da idade média, quando a peste negra, favorecida pelas condições saneantes inexistentes, dizimou quase metade da população europeia. Fator esse, que serviu de alerta para a Europa desenvolver e investir, constantemente, em saneamento de qualidade para toda a população. No entanto, observa-se que o Brasil, divergindo dos países europeus, encontra-se em um patamar muito precário nessa questão, necessitando de ações imediatas para dirimir o problema.
Inicialmente, verifica-se que o país investe muito pouco em políticas de saneamento básico. Pois, seguindo os dados do G1, os investimentos nessa área, que já são baixos, caíram pelo terceiro ano seguido. Diante dessa omissão do estado, em que muitas vezes sequer essa temática é debatida com a sociedade, o quadro atual não poderia ser outro, senão o caos, uma vez que a proliferação de doenças como: esquistossomose, amebíase, dengue e outras estão intimamente ligadas à falta de saneamento. Nesse contexto, a negligência do estado torna-se uma grave calamidade de saúde pública que atinge, principalmente, os mais vulneráveis em áreas precárias e marginalizadas, contrariando assim, o direito constitucional da população de ter acesso ao saneamento básico em todas as suas formas.
Ademais, além de contribuir para aumento das doenças, a ausência de tratamento adequado dos esgotos sanitários polui os afluentes, os rios e mares, a exemplo do Rio Tietê e Pinheiros, ambos mortos na região metropolitana de São Paulo, em decorrência do despejo de lixo e esgotos. Por conseguinte, o reflexo do descaso que há no país, pode ser visto pelos dados do Instituto Trata Brasil, o qual segundo o mesmo, apenas 45% do esgoto do país é tratado e 35 milhões de brasileiros não tem acesso à água potável, ou seja, mais da metade da população do país é excluída desse acesso.
Portanto, medidas são necessárias para cessar a problemática atual. Nesse sentido, é preciso que o governo junto ao ministério das cidades e com parcerias público-privadas aumente os investimentos, por meio de novos projetos de saneamento, como a construção de novas estações de tratamentos de água e esgotos para os locais mais vulneráveis e com as piores taxas, e sua expansão em outros locais que já possuem, a fim de promover o acesso ao saneamento a todos evitando a contaminação e o adoecimento da população exposta e do meio ambiente. Outrossim, as escolas devem debater com os alunos, por meio de palestras e trabalhos de divulgação da problemática nas comunidades, para que eles possam estar informados dos problemas que a falta de saneamento acarreta e assim lutar pelo pleno direito de acesso estabelecido na constituição.