Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 08/10/2019
No século XIX, A insalubridade causada pela falta de saneamento foi um principais focos de denúncia do Realismo. No Brasil atual, esse problema ainda figura um dos maiores desafios para a esfera pública, visto que seu combate depende de políticas eficientes para conter as profundas desigualdades sociais. Nesse sentido, esse fato está relacionado, sobretudo, à má gestão dos recursos públicos e aos graves impactos ao meio ambiente e à saúde humana.
Em primeira análise, é contraditório que tantos Brasileiros vivam em condições precárias, uma vez que o Brasil ocupa a nona colocação na lista das maiores economias mundiais. Nesse panorama, não se trata da ausência de verbas destinadas em melhorar a infraestrutura, pois mais de 27 bilhões de reais são investidos por ano segundo a Secretaria do Tesouro Nacional. No entanto, conforme divulgado pelo IBGE, mais de 50% da população não possui saneamento, ou seja, convive com a falta do abastecimento de água potável e sem o tratamento de esgoto. Torna-se visível, portanto, que essa problemática está ligada,de fato, à falta de logística e planejamento, além da expressiva corrupção constantemente noticiada. Logo, é inadmissível que ,num país oficialmente democrático, o Estado não seja capaz de oferecer o bem-estar social de forma homogênea em todo seu território.
Outrossim, os efeitos causados pela falta de saneamento causam danos irreversíveis para a natureza e, por consequência, ao homem. Sob essa ótica, diversos impactos ambientais podem ser destacados como a contaminação do solo e o despejo direto de resíduos nos rios, que causam a morte da sua biodiversidade. Ademais, vale ressaltar que, devido às profundas desigualdades, a camada social menos abastada é obrigada a viver em tal ambiente, em vista disso, ocorre o surgimento de doenças como Leptospirose, Disenteria Bacteriana e Cólera. Prova disso, mais cinco mil crianças morrem de doenças evitáveis relacionadas a essa conjuntura, o que fez a ONU incluir na sua lista dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a meta para que até 2030 os países em desenvolvimento como o Brasil, consigam implantar medidas eficientes para reverter esse quadro.
Desse modo, é inaceitável que milhões de brasileiros ainda vivam em condições análogas aos cortiços descritos pelos autores do Realismo. Diante disso, o Governo Federal deve criar um mecanismo destinado a garantir à transparência da gestão pública, por meio de um canal online de denúncia à corrupção com capacidade para atender à instância municipal, estadual e Federal, para tornar a aplicação do dinheiro direcionado a infraestrutura e universalização do saneamento mais eficiente. Assim, não somente o meio ambiente será favorecido como também, será ampliado o bem-estar social com a redução da grande quantidade de doenças ligadas à esse cenário.