Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 09/10/2019

Em 1903, uma série de reformas urbanísticas foram feitas na cidade do Rio de Janeiro pelo prefeito Pereira Passos. Uma de suas metas era transformar as ruas cariocas em perfeitos modelos parisienses e saneados. Entretanto, no século XXI, só fica claro que Paris nunca saiu da Europa, enquanto o Brasil enfrenta a cada dia um saneamento básico precário e mal distribuído. Dessa forma, são essenciais medidas que tratem não só as causas mas também as consequências desse problema.

A priori, destaca-se, em áreas mais periféricas, a ausência do Estado se coloca mais evidente. Em razão disso, o livro “O Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, escrito em 1960, ainda apresenta-se tão atual, já que, mais de meio século, depois as questões de exclusão de classes mais baixas, tratada na obra, continuam acontecendo e gerando falta de higiene e disseminação de doenças. Consequentemente, esse descaso diminui demasiadamente a qualidade de vida dos indivíduos e, até mesmo, causa mortes pelas enfermidades contraídas.

Outrossim, evidencia-se que a escassez de políticas governamentais acaba por criar um problema ambiental. Casos como o de início desse ano, em que a principal coletora de dejetos do Rio de Janeiro, a Comlurb, não foi pago, e cerca de 7,2 milhões toneladas de lixo deixariam de seguir para o tratamento, indiretamente deixam a população sem medidas alternativas. Dessa forma, erroneamente, esses resíduos acabam seguindo para as fossas e os rios mais próximos sem, muitas vezes, escolha ou conhecimento das consequências para a saúde da população local a ter essa atitude.

Torna-se evidente, portanto, que o saneamento deve ser tratado como pauta primordial e ser distribuída a todos igualitariamente. Logo, é necessário que o Governo crie campanhas de conscientização, por meio da mídia, como rádio e televisão, que alertem acerca das consequências para a saúde das pessoas e do meio ambiente, onde o saneamento não está adequado. Além disso, as instituições educacionais devem, realizar palestras e atividades interdisciplinares, apresentar aos jovens a importância de buscar e questionar o Estado por seus direitos básicos, conscientizando a população que, muitas vezes, acabam por serem vítimas da ineficácia do Poder Público. Apenas assim, o Brasil poderá, mais de um século depois, ser a cidade das ideias de Pereira Passo.