Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 23/10/2019

Na obra “Cegueira Moral” do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é relatada a falta de sensibilidade da sociedade em meio às dores do indivíduo, em conjunto com a ausência de sentido da palavra comunidade em um mundo imerso no individualismo. Nesse contexto, ao se analisar a precária situação do saneamento básico, percebe-se que a indiferença descrita por Bauman está extremamente presente nos problemas do século XXI. Esse cenário é fruto, tanto da falta de políticas públicas eficientes, quanto da falta de investimentos privados. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de que se retome o sentido da palavra comunidade ainda nesse século.

Sobretudo, é fulcral pontuar que a falta de saneamento básico em áreas carentes deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido à falta atuação das autoridades, na priorização de projetos que garantam o saneamento básico nas áreas carentes. Em consequência disso, a população mais pobre, moradores das zonas periféricas, sofrem com a falta de água, drenagem de esgoto e recolhimento de lixo, esse fato leva ao aumento de doenças, em exemplo, a leptospirose doença transmitida pela urina de roedores, os quais são constantemente encontrados nesses locais.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de ação dos setores privados como promotor do problema. Conforme o sociólogo alemão Ralf Dahrendof no livro “A lei e a ordem”, a anomia é a condição social em que as normas reguladoras dos comportamentos das pessoas perdem sua validade. De forma análoga, nota-se que as leis que regulamentam os atos de solidariedade na sociedade encontra-se em estado de anomia, pelo fato de serem, constantemente, esquecidas, pelos mais ricos. Partindo desse pressuposto, o indivíduo está preocupado apenas em acumular riquezas e, nesse intuito, esquece que 50% da população sofre com a falta de saneamento básico, segundo uma pesquisa realizada no portal de noticias G1. Por certo, essa insensibilidade contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Portanto, é possível defender que impasses políticos e sociais constituem desafios a se superar. Dessarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Desenvolvimento, será revertido em políticas de saneamento, mediante estudos que localizem áreas com maiores necessidades, para que os municípios possam intensificar os trabalhos nesses locais, de modo a dar dignidade a toda população e acabar com problemas de saúde recorrentes nessas áreas. Desse modo, atenuar-se-á o impacto nocivo da insalubridade e a coletividade contornará a Cegueira Moral de Bauman.