Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 25/10/2019

Na obra “Cegueira Moral”, do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, é relatada a falta de sensibilidade da sociedade em meio às dores do indivíduo, em conjunto com a ausência de sentido da palavra comunidade, em um mundo imerso no individualismo. Nesse contexto, ao se analisar a precária situação do saneamento básico, percebe-se que a indiferença descrita por Bauman está extremamente presente no problemas do século XXI. Esse cenário é fruto, tanto da falta de políticas públicas eficientes, quanto da falta de investimentos privados. Diante disso torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de que se retome o sentido da palavra comunidade ainda nesse século.

Em primeiro plano, é fulcral pontuar que a falta de saneamento básico a toda sociedade deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, isso não ocorre no Brasil, devido a falta de atuação das autoridades, na priorização de projetos que garantam o saneamento básico em áreas carentes. Em consequência disso, a população mais pobre, moradora de zonas periféricas, sofre com a falta de água, drenagem de esgoto e recolhimento de lixo, esse fato leva ao aumento de doenças, em exemplo, a leptospirose, doença transmitida por roedores, encontrados em locais sem o tratamento adequado.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de ação dos setores privados como impulsionador do problema. Conforme o sociólogo alemão Ralf Dahrendof, no livro “A lei e a Ordem”, a anomia é a condição social em que as normas reguladoras dos comportamentos das pessoas perdem sua validade. De forma análoga, nota-se que as leis que regulamentam os atos de solidariedade na sociedade encontram-se em estado de anomia, pelo fato de serem ignoradas, pela alta burguesia. Partindo desse pressuposto, o setor privado, detentor de grande parte do capital, não prioriza  investimento em projetos sociais e, assim, 50% da população sofre com a falta de saneamento, segundo o portal de notícias G1. Por certo, essa insensibilidade contribui para esse quadro deletério.

Portanto, é possível defender que impasses políticos e econômicos constituem desafios a se superar.

Dessarte, necessita-se urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério do Desenvolvimento, será revertido em políticas de saneamento, que mediante a parceria com o setor privado, realizem a estruturação de coletas e tratamentos nas áreas em necessidade. Essas parcerias trarão benefícios mútuos, pois estimularão o desenvolvimento econômico e, assim, a necessidade de empreendimentos no local. Desse modo, atenuar-se-á os efeitos da falta de saneamento e a coletividade contornará a visão de Bauman, retratada no livro Cegueira Moral.