Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 02/11/2019

Na Idade Média, a peste negra foi responsável pela morte de milhões de pessoas na Europa e nas regiões adjacentes. Sabe-se que o grande desenvolvimento dessa doença foi motivado pela inexistência de medidas de saneamento básico naquela época. Na modernidade, diversas políticas públicas foram criadas para melhorar os serviços de limpeza e de higienização das cidades, porém estão longe se ser o ideal. Ainda existem muitos desafios para melhorar o saneamento básico no Brasil, devido ao aumento do consumismo e ao enfraquecimento da cultura de prevenção.

Em primeiro lugar, é evidente que a população não tem colocado como prioridade o cuidado com a destinação de seus resíduos. Diariamente surgem novas tendências de moda, de tecnologias e de serviços, mas, ao mesmo tempo, muitas coisas deixam de ser consideradas úteis. Na tentativa de manterem-se atualizadas, as pessoas consomem cada vez mais produtos. Como consequência, a produção de lixo tem aumentado de forma acelerada, entretanto, os mecanismos de despejo do lixo não tem acompanhado esse ritmo.

Além disso, verifica-se na História do Brasil o grande foco dado na resolução de problemas em vez de trabalhar com a prevenção. Por exemplo, é muito comum em períodos mais secos, como no inverno, em que há pouca ocorrência de chuvas, campanhas serem lançadas para incentivar a economia de água. Mas por que não investir também nessas campanhas em períodos de altos índices de pluviosidade? A construção da consciência dos impactos gerados pelas atitudes dos indivíduos sobre o coletivo deve ser feita em todo o momento para que a cultura de prevenção seja abraçada.

Nesse sentido, fica claro que para melhorar a situação do saneamento básico brasileiro e chegar num nível ideal é necessário que novas medidas sejam adotadas. Como exemplo, os Governos estaduais e municipais, responsáveis pelo fornecimento da educação em níveis fundamental e médio, podem criar um plano anual para que as escolas abordem assuntos como o consumo de água, a produção e a destinação de lixo, a coleta seletiva, entre outros, envolvendo as comunidades e selecionando agentes multiplicadores dessas informações em seus bairros. Com isso, os indivíduos entenderão que também são responsáveis pela manutenção do saneamento e os recursos investidos em infraestrutura serão mais efetivos.