Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 04/03/2020
O saneamento básico constitui-se como o conjunto de serviços estruturais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza e drenagem de resíduos sólidos. Entretanto, observa-se, no Brasil, uma precária rede de infraestrutura que penaliza, sobretudo, a população mais carente. Isso decorre da falta de planejamento das cidades no passado, tornando o sistema atual desorganizado e altamente custoso à administração pública.
Em vista disso, com o crescimento rápido das cidades brasileiras no século passado, o país não conseguiu planejar o seu crescimento urbano. De fato, com o desenvolvimento industrial acelerado, especialmente a partir da década de 50, e a promessa de novos empregos houve um grande inchaço populacional nas capitais brasileiras. Contudo, de acordo com Rubens Coelho, professor de economia aplicada na UPE (Universidade de Pernambuco), a crise econômica e fiscal, que o Brasil viveu nos anos seguintes, gerou uma grande recessão da indústria o que levou a uma grande onda de desempregos no país. Todavia, as cidades continuaram a crescer. Consequentemente, gerou um descontrole habitacional e o surgimento de moradas precárias em vários lugares.
Por conseguinte, esses acontecimentos geraram um desenvolvimento desigual no país. Dessarte, percebe-se uma discrepância da qualidade dos serviços prestados de uma cidade para outra. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as desigualdades regionais nesse sentido são marcantes. Enquanto que em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro apresentam índices de tratamento de esgoto de 93%, outras cidades como Belém (7,7%) e Macapá (5,5%) não gozam do mesmo benefício. Por consequência, em cidades assim, a qualidade de vida torna-se muito precária. Consoante com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a falta de água potável e esgoto, que muitas vezes fica a céu aberto, gera o aumento de doenças à população exposta a isso, especialmente às crianças.
Os desafios, portanto, para melhorar o saneamento básico têm intrínseca relação entre planejamento e sociedade civil. Para isso, os municípios, de cada estado, devem elaborar um plano de melhoria do saneamento, mobilizando a sociedade e formando grupos de trabalho que permitam a identificação de pontos críticos de cada comunidade. Dessa forma, será possível definir metas e alocar recursos com maior facilidade para executar as ações. Assim, será possível garantir uma melhoria na qualidade de vida dessas pessoas que, de fato, contribuirá com a diminuição de doenças e o aumento da expectativa de vida da população. Só então seremos uma sociedade que promove o bem de todos.