Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 31/03/2020

Em meados de 1903, a população da cidade do Rio de Janeiro sofria com a quantidade de lixo que se aglomerava nas ruas, fazendo com que o vírus da varíola se espalhasse. Decidido a reurbanizar e sanear a cidade, o médico Oswaldo Cruz foi nomeado Diretor da Saúde Pública. Com isso, iniciaram-se a construção de grandes obras públicas, o alargamento das ruas e avenidas e o combate às doenças. Entretanto, tais medidas não levaram em conta as camadas mais pobres, que conviviam com um saneamento básico precário.

Situação semelhante ocorre em várias cidades do Brasil atual, especialmente nas periferias. Sob esse viés, há o negligenciamento do Poder Público com as populações localizadas perto de corpos d’água, as quais convivem diariamente com dejetos jogados nos rios. Tal fato causa o fenômeno da eutrofização, responsável por desestruturar toda uma cadeia alimentar que reside no ambiente. De acordo com o Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento, menos da metade dos brasileiros têm acesso à um saneamento básico de qualidade.

Sob esse prisma, percebe-se que a distribuição de renda contribui para acentuar a problemática, uma vez que a população que mais sofre com os impasses de se viver uma vida de qualidade é a parcela dos habitantes de classes sociais mais baixas. Acerca dessa lógica, o trabalhador recebe somente uma quantia suficiente para sobreviver no local precário onde mora, já que o Estado não oferece condições de vida melhores. No que se concerne a aproximar a população das medidas que precisam ser tomadas, existem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, no qual o objetivo número seis busca assegurar o acesso ao saneamento e higiene adequados e equitativos para todos, além de prever maior reciclagem e reutilização da água.

Em suma, é necessário que o Ministério da Saúde, ao lado dos institutos de pesquisa como IBGE e o Censo, busque as populações que mais sofrem com a falta de saneamento básico e lhes provenha com remédios e obras que ajudem na infraestruturas dessas localidades. Faz-se necessário também um cenário de redistribuição de renda, com base no olhar para os habitantes mais necessitados, para que o dinheiro não se concentre nas mãos daqueles que recebem mais que o suficiente para sobreviver.