Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 19/04/2020
No filme “Saneamento Básico”, é retratada a luta de uma comunidade para conquistar melhores condições de vida, principalmente o direito ao tratamento de esgoto. Fora da ficção, essa ainda é a luta de uma grande parcela de brasileiros, principalmente moradores de áreas mais afastadas e com menos investimentos do Estado. Nesse contexto, evidencia-se a influência da globalização e do crescimento urbano no aumento das desigualdades sociais, gerando uma vulnerabilização, tanto física quanto econômica, da camada social mais necessitada. Surge, portanto, a necessidade de uma análise de tais fenômenos para solucionar o precário saneamento básico no Brasil.
Primeiramente, deve-se explicitar que o saneamento básico para todos é um direito assegurado na Constituição Federal. Entretanto, essa lei não é cumprida, já que quase metade da população brasileira não possui acesso ao tratamento de esgoto de qualidade, segundo a Organização Mundial da Saúde. Desse modo, o geógrafo Milton Santos descreve a situação como uma “globalização perversa”, no sentido de que o crescimento urbano, ao invés de promover avanços sociais, acaba por potencializar a elitização das cidades, que gera uma indesejada segregação social, concentrando recursos em áreas mais ricas e desrespeitando direitos básicos nas mais pobres.
Por consequência, esse aumento da desigualdade é extremamente danoso, pois há uma maior exposição de indivíduos à perigosas doenças transmitidas pela água contaminada e resíduos mal depositados, como a leptospirose e a ancilostomose, segundo o próprio Ministério da Saúde. Sob tal ótica, o autor pré-modernista Monteiro Lobato, a partir do personagem Jeca Tatu, buscou expor os perigos desse grave problema e como ele pode afetar a população tanto do campo quanto da cidade, tornando mais difícil para as camadas mais vulneráveis escaparem de tal situação. Foi uma ação correta do escritor, visto que é preciso também mobilizar a população em prol de modificações sociais.
Logo, tendo em vista os aspectos mencionados, fazem-se de vital importância medidas efetivas para amenizar esses efeitos da globalização desigual. O Ministério da Saúde deve, a partir da liberação de verbas financeiras, investir na construção de instalações de tratamento de esgoto em áreas mais afastadas, como as periferias de grandes metrópoles, bem como no interior do país. Além disso, a população deve exigir desse órgão, a partir de manifestações organizadas e com pautas definidas, melhores recursos para o atendimento em postos de saúde, buscando elevar o tratamento oferecido aos infectados por doenças características desse processo. Somente a partir de tais medidas, a situação retratada no filme “Saneamento Básico” deixará de fazer parte da difícil realidade brasileira.