Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 23/07/2020

Durante o século XIX, na Europa, uma das preocupações dos governadores era a ausência de um tratamento adequado ao esgoto que estava afetando a vida dos cidadãos. Análogo a esse período, o Brasil vem enfrentando desafios no que se refere ao saneamento básico. Nesse pensamento, hão de ser analisados como a negligência estatal e o acesso sanitário não democrático colaboram para esse cenário nefasto.

Em primeira análise, o filósofo grego Platão considera que os cidadãos são ‘‘filhos’’ do Estado, e o mesmo deve zelar pelo cuidado deles. Entretanto, vê-se que a negligência estatal na pauta do saneamento básico em áreas remotas e carentes contraria o pensamento do filósofo supracitado. Nessa lógica, essa atitude contribui para por em risco a saúde da população negligenciada e favorece o desenvolvimento de um ambiente degradante para se viver.

Em segundo plano, é irrefutável a existência de um acesso não democrático ao saneamento básico, configurando uma nítida segregação social. De acordo com o filósofo John Locke, esse fato configura uma quebra do contrato social, uma vez que, ao revogar o “Estado de Natureza”, com o objetivo de ser governado pelo Estado, os cidadãos esperam que esse amenize as mazelas sociais e promova a igualdade de direitos a todos, o que não ocorre atualmente no Brasil. Desse modo, o contrato social é diariamente quebrado, posto que os habitantes de regiões segregadas socialmente nem sequer tem acesso ao tratamento de esgoto, o que, lamentavelmente, aumenta a desigualdade social e colabora para a conjuntura em questão. Logo, é inegável que essa situação, que ocorre devido as disparidades regionais, necessita ser sanada.

Tendo em vista o que foi discutido, cabe ao Estado abranger sua cobertura sanitária em áreas remotas, por meio de planos econômicos e sociais em conjunto com os respectivos municípios, com o fito de levar esse tratamento para uma maior área nacional. Ademais, cabe aos cidadãos afetados usar de sua pressão popular ao Estado, por meio de passeatas e reivindicações públicas, a fim de mostrar seus desejos como cidadãos aos seus governadores. Assim, espera-se que o saneamento básico brasileiro não se assemelhe ao europeu no século XIX.