Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 07/08/2020
A obra literária “Cortiço”, do escritor Aluísio Azevedo, retrata a sociedade carioca no final do século XIX e denuncia a exploração e péssima qualidade de vida dos moradores das estalagens. Nesse contexto, a realidade brasileira atual não têm sido muito diferente, milhares de pessoas ainda vivem em péssimas condições, sobretudo em relação ao saneamento básico. Sob essa ótica, o mau planejamento da sociedade e abandono estatal aos mais pobres são fatores cruciais para a persistência dessa problemática, que deve ser analisada para que o Brasil possa superar as condições apresentadas no romance naturalista.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar sobre a falta de planejamento das cidades brasileiras. Desse modo, com o processo rápido e desordenado de urbanização no Brasil, os grupos mais pobres que viviam nos centros urbanos foram obrigados a saírem de suas casas e irem para as partes mais afastadas da cidade, fenômeno chamado de favelização. Dessa forma, isso aconteceu de forma forçada e sem nenhum auxílio, não havia estrutura de saneamento nesses lugares o que levava a população a viver em uma situação de calamidade, sem água tratada e esgoto, correndo riscos diariamente de contrair doenças.
Por conseguinte, somado a esse processo desorganizado, há um abandono por parte do governo aos grupos mais desfavorecidos. Nesse sentido, segundo o filósofo grego Aristóteles: a política deve ser feita para o bem comum. Entretanto, na prática isso não ocorre, as pessoas, principalmente das periferias, ainda vivem em condições subumanas sem o acesso ao saneamento básico. Assim sendo, o governo, que deveria dar assistência a todas as parcelas da sociedade sem distinção, faz projetos exorbitantes para a melhora das áreas mais nobres das cidades e ignoram os mais pobres, que são os que mais necessitam de obras para viverem em condições mais humanas.
É necessário, portanto, que o Estado tome providências para reverter o quadro atual. Cabe ao Ministério do Desenvolvimento Regional, por meio de verbas governamentais, a criação do plano “Saneamento para todos”, que será uma forma eficaz de levar água de qualidade e tratamento de esgoto aos necessitados. Tal medida contará com o apoio das prefeituras, que analisará os bairros que precisam do auxílio do programa e realizará as obras. Esse projeto objetiva a universalização do saneamento básico e melhoria da qualidade de vida dos cidadãos brasileiros, independente de sua situação social. Só assim o Brasil se tornará um país justo e igualitário, diferente do que foi retratado na obra de Aluísio Azevedo.