Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 13/08/2020
Quando refugiado da Segunda Guerra Mundial, o escritor judeu-austríaco Stefan Zweig compôs uma obra cujo título é “Brasil: um país do futuro”. Todavia, quando se observam os desafios enfrentados pelo deficiente sistema de saneamento básico, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Nesse sentido é válido ressaltar o porquê, geograficamente, há uma imensa desigualdade em infraestruturas básicas e quais são os desafios a serem superados para a democracia de tais serviços.
Em primeira análise, vale destacar que o precário saneamento brasileiro é fruto de uma globalização que ressaltou as desigualdades no país. Segundo o geógrafo e cientista Milton Santos, a ascensão do sistema capitalista foi sinônimo de avanço e facilidade na vida da humanidade, entretanto trouxe consigo uma desuniformidade imensa quanto ao enriquecimento da população. Isso pode ser exemplificado pela discrepância em relação ao acesso a serviços básicos, como os de esgoto e água potável, em regiões periféricas. Contudo, agrava-se a situação de vulnerabilidade social de cidadãos residentes de tais áreas, que não têm acesso à serviços básicos.
Paralelo à isso, é relevante ressaltar que políticas públicas que atinjam regiões precárias de infraestrutura são um desafio para o Estado. O Brasil é um país de dimensão continental, por conta disso não existem políticas que podem abranger todo o território, já que a globalização fez com que houvesse grandes diferenças em um mesmo país. Visto que, em pesquisa feita pelo Instituto Trata Brasil, cerca de 49% da população não possui acesso integral à rede de tratamento, são necessárias ações que abranjam tais espaços. Portanto, é imperativo a superação de tais obstáculos para que haja a integridade de serviços básicos para a sociedade.
Verifica-se então, a necessidade de superar barreiras geográficas e ampliar o acesso à infraestrutura básica. Para isso, é imprescindível uma ação conjunta pelas 3 formas de governo -federal, estadual e municipal- para verificar áreas não atendidas e promover projetos de democratização do sistema de saneamento. Tudo isso, pode ser planejado por meio de ações de comunicação com a população -como em assembléias ou juntas-, garantindo a integridade social brasileira. Somente assim a profecia de Zweig será realizada.