Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 18/08/2020

O saneamento básico é o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem, manejo de resíduos sólidos e águas pluviais, assegurado como um direito pela Constituição Federal, promulgada em 1988. No entanto, boa parte da população brasileira não possuí acesso à esses serviços devido ao crescimento urbano desordenado nas cidades, aliado à negligencia governamental em atender igualitariamente os cidadãos, o que causa consequentemente problemas ambientais e sociais.

Convém analisar, inicialmente, que a partir da década de 1950, a urbanização no Brasil tornou-se mais acelerada, visto que o processo de industrialização intensificou, consequência disso, ocorreu com maior proporção o êxodo rural, no qual a população do campo migrava para a cidade. Desse modo, o crescimento desordenado corroborou na criação de periferias, ou seja, locais mais afastados dos centros urbanos, caracterizados pela desigualdade social. Em outras palavras, a maioria dessas comunidades possui acesso precário aos serviços básicos, uma vez que os investimentos políticos priorizam os centros urbanos em virtude da concentração das classes sociais com maiores poderes aquisitivos. Nessa lógica, a escassez do tratamento de água ou esgoto está relacionada à negligencia governamental em promover nas regiões das cidades o saneamento básico que é um direito de todos.

Outrossim, segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um organismo biológico por ser, assim como esse, composta de partes que interagem entre si. Por analogia, pode-se afirmar que a natureza também é afetada pela falta de saneamento básico, uma vez que compõe o ambiente no qual os indivíduos habitam. Dessa maneira, quando não ocorre a limpeza urbana e drenagem do esgoto, esses materiais são depositados incorretamente na flora e provocam o desequilíbrio ecológico,como a contaminação de cursos de águas, além de criar ambientes propícios à proliferação de vetores de doenças, por exemplo, leptospirose e cólera.

Fica evidente, portanto, a urgência de medidas para promover o saneamento básico e diminuir os impactos causados pelo manejo errôneo. Logo, é dever da Prefeitura realizar um mapeamento na cidade a fim de descobrir as áreas sem acesso aos serviços sanitários e promover nesses locais reformas estruturais por meio de construções de tratamento adequado das águas e esgoto com intuito de garantir de maneira igualitária o acesso ao saneamento básico. Ademais, cabe ao Governo promover políticas de combate a poluição ambiental causada pelo descarte dos tratamentos, além de alertar por intermédio de cartazes e anúncios as doenças que podem ser desenvolvidas com intuito de evitar o desequilíbrio ecológico e despertar na população consciência para lutar pelos direitos básicos.