Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 25/08/2020

Na obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, as personagens tinham de conviver com um saneamento básico extremamente precário, o que ocasionava focos de doenças. Fora da ficção, esse ainda é um problema que acarreta muitos brasileiros devido à forma com que as cidades do país se formaram e à omissão governamental.

Sob esse viés, convém analisar como o processo de formação das urbes influencia no entrave. Nesse sentido, vale ressaltar que o fenômeno de industrialização do Brasil, intensificado na década de 1930, provocou um êxodo rural, o qual ocorreu de forma desenfreada e sem planejamento governamental. Esse fato provocou o crescimento de cidades sem a infraestrutura necessária para abrigar todas as pessoas, o que fez com que muitas delas fossem privadas do saneamento básico. Dessa forma, em razão da falta de organização das cidades, um grande número de indivíduos acabam desenvolvendo doenças, muitas vezes letais.

Ademais, outro fator a salientar é a negligência governamental. Nessa conjuntura, o filósofo Thomas Hobbes afirma que é dever do Estado garantir o bem-estar social. No entanto, isso não ocorre no Brasil, uma vez que o governo investe minimamente em projetos para levar o saneamento básico a toda população, principalmente às áreas periféricas. Além disso, o poder público cobra altos impostos por esse serviço o que inviabiliza seu usufruto por pessoas de baixo poder aquisitivo. Desse modo, a postura governamental prejudica a saúde de muitos brasileiros, uma vez que esse problema contribui para a proliferação de doenças, como a cólera.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar a problemática. Assim, o Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, deve investir em projetos que levem o saneamento básico, de forma gratuita, a todos os brasileiros, a fim de diminuir o desenvolvimento de doenças causadas pela falta desse serviço. Isso deve ocorrer por meio do investimento em tratamento de água e de esgoto. Dessa maneira, a situação relatada na obra de Aluísio Azevedo permanecerá na ficção.