Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 08/01/2021

O Plano Nacional de Saneamento Básico, feito em 2013, prevê uma universalização do saneamento no Brasil até 2033. Entretanto, o país ainda enfrenta um longo caminho para uma homogenização no setor, já que, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, 35 milhões de brasileiros não têm água tratada em casa. Entre os obstáculos, as diferenças regionais e o pouco investimento são os principais que impedem o acesso ao saneamento.

Primeiramente, é importante ressaltar que pessoas de cidades interioranas ou de regiões periféricas sofrem mais com a falta de recursos como água potável e coleta e tratamento de esgoto. O Instituto Trata Brasil (ITB) aponta que 90 das 100 das maiores cidades brasileiras têm 80% da população com água tratada. Apesar da maioria das grandes cidades terem maior acesso ao saneamento, a precariedade se acumula principalmente nas regiões afastadas. Essa carência de saneamento pode ser observado no livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, que mostra a família de Fabiano vivendo na miséria do sertão nordestino, sem acesso a água e qualidade de vida. Essa situação pode gerar consequências para as pessoas que vivem em circustâncias de baixa higiene, que podem ser contaminadas por bactérias patogênicas, gerando doenças e até mortes.

Em segundo plano, o pouco investimento na área faz com que o problema se arraste durante os anos. Os avanços no número de pessoas com acesso ao saneamento básico são baixos, o que vai de acordo com o dinheiro investido, que, segundo o ITB, desde 2011, é uma média de 10 bilhões de reais. Esse dinheiro é a metade do necessário para o Plano Nacional de universalização e, se os investimentos não aumentarem, o atraso do plano vai ser de mais de 20 anos. Além disso, metade desse dinheiro está nas maiores cidades brasileiras. Isso mostra que não só o os avanços estão baixos, como estão concentrados aonde a situação já está melhor. A maior parte da responsabilidade é dos políticos dos municípios, que priorizam obras mais visuais e com mais impacto, como pontes e hospitais, para divulgar suas realizações e deixam problemas, como água encanada, estagnados.

Torna-se evidente, portanto, que o governo não consegue suprir as demandas da população na questão do saneamento. Por isso, é necessário que as prefeituras trabalhem em cima do problema através de parcerias com empresas privadas que operam no setor, que ofereçam, por exemplo, limpeza urbana e tratamento de esgoto para a população do município. Assim, garantido que as pessoas, até de cidades menores e do interior, tenham acesso ao saneamento básico. Dessa forma, ocorrerá menos mortes e doenças relacionadas a baixa higiene, e os cidadãos podem ter uma melhor qualidade de vida.