Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 27/08/2020

Na produção ficcional “Parasitas”, a família kim, excluída de qualquer medida de saneamento básico, vive em situação deplorável. Nesse viés, a falta de acesso igualitário ao saneamento básico - experimentado pela família kim - é uma realidade na contemporaneidade brasileira, da qual representa um grave desafio social. Com efeito, para que a ausência de saneamento básico seja desconstruída, há de se combater a falta de dignidade humana e as questões históricas.

Em primeiro plano, a crise sanitária inviabiliza o efetivo tratamento digno de humanidade. A respeito, a OMS através da Agenda 2030 - plano de ação para as pessoas e para o planeta - estabeleceu que o tratamento de esgoto é uma condição fundamental para a dignidade humana. Ocorre que 50% dos brasileiros não dispõe de acesso ao saneamento mínimo necessário garantido pela OMS - de acordo com os dados do Ministério da Saúde -, o que significa que a nação brasileira ainda vive um grave retrocesso e está distante de ser considerada uma sociedade evoluída. Logo, enquanto a falta de saneamento básico se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos maiores problemas da nação: a desigualdade social.

De outra parte, há de se resolver os desafios históricos do saneamento básico. Nesse contexto, em 1904, o médico sanitarista Oswaldo Cruz, instituiu vários projetos - coleta seletiva, controle de zoonose, tratamento de esgoto - e tornou-se o principal responsável pela revolução sanitária no Brasil. Entretanto, a negligência do Estado repudia os projetos feitos pelo Oswaldo Cruz, que colocam em risco à saúde de substancial parcela da população brasileira. Dessa forma, é contraditório que, mesmo sendo uma nação pós-moderna, a falta de saneamento básico ainda seja realidade no Brasil.

Portanto, o Ministério da Saúde deve, com urgência, fornecer condições básicas de vida, por meio de infraestrutura nas redes de esgoto, coleta de lixo no mínimo três vezes por semana, sobretudo nas áreas mais necessitadas, a fim de proporcionar aos cidadãos uma vida digna. Paralelamente, as ONGs devem promover campanhas, por meio de palestra e oficinas, sobre a importância da coleta seletiva, com o fito de desconstruir os problemas do século passado. Dessa forma, os brasileiros não irão enfrentar os problemas como os da família kim.