Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 28/08/2020
“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. Essa afirmação da filósofa Simone de Beauvoir, pode servir de metáfora ao precário saneamento básico brasileiro, uma vez que, por escandalosa que seja essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto do desleixo do Estado quanto do silenciamento pessoal.
Deve-se analisar, precipuamente, que o desinteresse do Estado é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse viés, evidencia-se a falta de políticas públicas suficientemente efetivas para melhorar e democratizar as estruturas do saneamento básico no Brasil, visto que, muitas regiões ainda não possuem tal acesso de saneamento, como por exemplo o norte e nordeste. Diante disso, sabe-se que os investimentos são, em sua maioria, destinados as áreas de maior interesse político e econômico, o sul e sudeste, acarretando, dessa forma, a falta de saneamento básico entre os indivíduos, resultando até mesmo o avanço de doenças infecciosas. Consoante ao poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, tem uma pedra no meio do caminho. Destarte, essa pedra simboliza os obstáculos enfrentados por algumas pessoas pela falta de saneamento. Logo, medidas devem ser engendradas para por fim a essa realidade.
Faz-se mister ressaltar ainda, que a ausência de saneamento básico encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja a acessibilidade de tal direito social, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do Instituto Trata Brasil, em 2019, 48% da população não tem coleta de esgoto adequada. Nessa lógica, trazer à parte essa patologia e debatê-la, amplamente, aumentaria a chance de atuação nela.
Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, em consonância com o Governo Federal, por meio de ações: mais investimentos nas regiões do norte e nordeste e programas de implantação de coleta de esgoto nas comunidades que não possuem, para que, de tal forma, todos os indivíduos brasileiros possam obter tal direito constitucional, erradicando, dessa maneira, as fragilidades do saneamento básico e tornando-o mais acessível a todos. Somente, assim, os escândalos mimetizados por Simone de Beauvoir poderão ser desabituados.