Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 04/09/2020
Desde o movimento intelectual que surgiu durante o século XVIII na Europa, o Iluminismo, que pregava a disseminação dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, entende-se que uma sociedade só progride quando um se comove com o problema do outro. Entretanto, ao analisar os desafios para melhorar o precário saneamento básico no Brasil, percebe-se que o ideal Iluminista de igualdade é contestado. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência governamental e a alienação social colaboram para esse quadro.
Mormente, a inobservância do Governo é o principal fator responsável para a permanência da problemática. Tal fato ocorre porque as autoridades governamentais, principalmente das cidades pequenas, não se preocupam em melhorar a infraestrutura sanitárias das moradias dos cidadãos. Nessa perspectiva, de acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra ‘‘Modernidade Líquida’’, algumas instituições-dentre elas o Ministério da Saúde- perderam o seu papel social e configuram-se como ‘‘Instituições Zumbis’’ ao manter apenas a sua forma e encarregar a população a resolução de seus problemas. Logo, infelizmente, por consequência do precário saneamento básico, doenças como leptospirose, verminoses e cólera fazem parte da realidade de muitas famílias brasileiras.
Outrossim, a alienação social é outro fator primordial para a temática. Essa situação se deve porque a sociedade decide se calar diante de um problema que afeta determinado grupo. Assim, a filósofa judia Hannah Arendt, defende em sua teoria ‘‘Banalidade do Mal’’, que o comportamento preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos os normalizam. Nesse sentido, consequentemente, tendo em vista que, o grupo mais afetado pela falta de saneamento básico na sociedade é a classe que mais carece de capital, nota-se que o preconceito e a falta de conhecimento sobre os perigos do descarte incorreto de esgoto e lixos, fazem parte da vida desses cidadãos.
Dessa maneira, para Antoine de Saint-Exupéry, na vida não existem soluções. Existem forças em marcha: é preciso criá-las e, então, a elas seguem as soluções. Portanto, o Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, em parceria com o Ministério da Saúde,deve,por meio da criação de um projeto de saneamento básico para todas as cidades da brasileiras, erradicar com os problemas provenientes da ausência de políticas públicas eficazes, a fim de não só assegurar o direito à saúde de qualidade, como também cumprir com o ideal Iluminista de igualdade. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com a mídia, deve criar uma propaganda obrigatória informando aos telespectadores sobre a importância de manter o correto despejo de lixos, além de conscientizar sobre a necessidade de manter o respeito com todos os cidadãos, com o objetivo de diminuir o preconceito.