Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 14/09/2020

Na Idade Média, a falta de saneamento básico e noções de higiene contribuíram para a disseminação de várias doenças, como a Peste Negra, responsável por dizimar um terço da Europa. Na atualidade, essa realidade ainda persiste na vida de milhares de brasileiros, visto que o tratamento de água e de esgoto para populações carentes é extremamente precário ou até mesmo, inexistente. Nesse sentido, a passividade dos indivíduos perante o problema e a negligencia governamental são fatores que sustentam a problemática.

A princípio, nota-se que as pessoas pouco se importam com a precariedade do sistema de tratamento de água e de esgoto, visto que não há uma mobilização por parte da população para resolver esse impasse. Segundo o filósofo Pierre Bordieur, a violência simbólica é caracterizada por uma conduta cultural normalizada, imperceptível e incorporada pela sociedade. Dessa forma, o descaso coletivo mediante ao direito ao saneamento básico de qualidade, o qual é usual e neutralizado, configura-se como violência simbólica, haja visto que uma parcela da sociedade ignora a precaridade desse serviço. Nesse contexto, a apatia dos indivíduos impede que o entrave seja solucionado.

Ademais, ressalta-se a negligencia das esferas públicas como agravante da problemática. De acordo com o Constituição de 1988, todos os indivíduos possuem direito à saúde e direito à moradia digna. Entretanto, ratifica-se a tese defendida pelo jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein acerca da Cidadania de Papel, isto é, embora o país apresente um conjunto de leis bastante consistente, elas se atêm, de forma geral, ao plano teórico. Logo, a garantia do direito à saúde não é garantido na prática, refletindo a ineficácia governamental.

Compreende-se, assim, que medidas são necessárias para combater o impasse.Escolas e universidades, por meio de palestras e rodas de conversa com profissionais qualificados, devem abordar assuntos relacionados à temática da precariedade do saneamento básico brasileiro a fim de que indivíduos saiam da postura passiva e busquem, de alguma forma, contribuir para a resolução do problema. Outrossim, o Ministério da Saúde, por intermédio da emissão de verbas, precisa construir uma série de redes de tratamento de água e de esgoto para as populações que carecem desse direito, para que elas tenham uma vida digna e livre de doenças. Assim, epidemias como ocorreram na Idade Média, seriam evitadas.