Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 27/09/2020
Na obra naturalista “O cortiço”, de Aluísio de Azevedo, os moradores do cortiço, no século XIX, tinham que conviver em condições de higiene bastante precárias, além do ambiente insalubre e vulnerável ao aparecimento de doenças. Fora da ficção, esse cenário ainda é recorrente em certas regiões do Brasil, o que gera a inviabilização da manutenção da saúde pública adequada. Nesse sentido, percebe-se que essa problemática possui origem na esfera social e ocasiona o adoecimento de uma parcela da população, além da conservação de algumas mazelas sociais.
Em primeira análise, há um drástico descaso com as áreas de baixa renda, devido à indiferença por parte dos governantes e isso se revela, principalmente, na falta de saneamento básico apropriado, o qual é considerado uma medida de saúde preventiva. Segundo a Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos os cidadãos e um dever do Estado. No entanto, serviços básicos, como água potável e esgotamento sanitário, não são desfrutados por todos os cidadãos, especialmente, os que possuem uma renda baixa e são tratados como invisíveis pelo governo. Dessa forma, a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) considera as funções de saneamento básico associadas à saúde pública, assim, observa-se que essa problemática afeta a implantação dos direitos garantidos na lei.
Por conseguinte, a falta de saneamento básico gera não só a superlotação de hospitais, devido ao aumento de doenças, como também a manutenção de desigualdades sociais. A princípio, o contato constante do indivíduo com o esgoto pode gerar o aparecimento de verminoses e doenças infecciosas, como a esquistosomose e a dengue, respectivamente. Com isso, os hospitais públicos enfrentam um aumento de pacientes e o tratamento fica comprometido, visto que não há recursos suficientes para atender toda a população. Ademais, em decorrência do surgimento das enfermidades supracitadas, muitos trabalhadores têm que sair de seus empregos para tratar tal problema e, conjuntamente, crianças abandonam as escolas devido à falta de saúde, também. Assim, percebe-se que a falta de higienização urbana acarreta sérios problemas de saúde e sociais.
Fica evidente, portanto, a importância do saneamento básico para a saúde pública e os desafios que devem ser mitigados. Logo, cabe ao Poder Legislativo reforçar as leis que garantem o investimento adequado no saneamento básico em áreas que não possuem esse serviço e em hospitais públicos - por meio de projetos de leis -, assegurando tal acesso e proibindo que os governantes interfiram no destino de tais recursos., para que todos os brasileiros possam ter acesso a esse direito e os hospitais não enfrentem mais uma superlotação, devido às doenças que podem ser prevenidas. Sendo assim, contextos como o de “O cortiço” não serão comuns na pátria brasileira.