Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 16/09/2020

A obra “Urupês”, de Monteiro Lobato, retrata a situação de descaso governamental às doenças da época, situação essa representada por Jeca Tatu, personagem que além de simbolizar o abandono às sociedades periféricas, apresenta Amarelão -verminose causada pela precariedade do saneamento básico-. Nesse cenário, sabe-se que a insuficiência nos serviços sociais é bastante evidente no Brasil, visto que grande parcela da população convive, diariamente, com a ausência de água tratada e irregularidade na limpeza coletiva. Dessa maneira, é indubitável que tal conjectura dos desafios para melhorar o saneamento básico é motivada, em especial, pela deficitária política de saúde pública, que resulta na carência da qualidade de vida e contagio de doenças.

À priori, a Constituição Federal, promulgada em 1988, garante a todos os cidadãos o direito à qualidade de vida, tendo em vista o acesso à água potável, tratamento de esgoto e coleta de resíduos sólidos. Entretanto, sabe-se que tal política não está de acordo com a situação na qual se encontra o Brasil, de modo a evidenciar que grande parte das regiões, destacando-se o Norte, Nordeste e suas localidades periféricas, apresentam-se abandonados no que diz respeito ao saneamento básico. Dessa forma, tal lamentável situação impacta, diretamente, na qualidade de vida e no desenvolvimento social.

Nota-se, portanto, dentro de um mesmo cenário ineficiente quanto às medidas sanitárias, que as regiões mais afastadas e que recebem menores informações quanto a higienização, presenciam um alto contágio de doenças patológicas, dado que seus recursos são limitados para a promoção de uma vida digna e saudável, fato vivenciado por Jeca Tatu, que contraiu Ancilostomose ou Amarelão, por não possuir uma educação sanitária. Nesse contexto, parte dos cidadãos que habitam regiões onde o saneamento é precário, adquirem doenças facilmente, uma vez que não higienizam corretamente seus alimentos ou ingerem água contaminada. Dessa maneira, tamanha falta de assistência governamental de saúde pública, resulta no aumento do índice de doenças e até mesmo no óbito da população afetada.

Diante dos fatos supracitados, é de responsabilidade do Legislativo - como órgão que visa a fiscalização de entraves sociais- em parceria com o Ministério da Saúde, o reforço e maior atenção ao projeto de lei que redireciona a melhoria do saneamento básico, privilegiando as regiões afastadas, por meio da construção de tubulações que forneçam uma melhoria no sistema hídrico à população, além de palestras que orientem o uso racional da água e a importância na higienização pessoal. Assim, tais medidas objetivam uma qualidade de vida digna aos brasileiros, para que situações de insuficiência no saneamento, como demonstrado em “Urupês”, fiquem distantes da realidade brasileira.