Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 30/09/2020

No hiato correspondente à Idade Média, a população europeia vivenciou a pandemia da Peste Bubônica, doença que foi agravada, principalmente, devido à inexistência de saneamento básico acessível às classes mais pobres e às baixas condições de higiene. Ademais, na sociedade hodierna, com a deflagração dos sistemas de esgoto e de tratamento da água, grande parte das doenças causadas por esse conflito foram erradicadas. No entanto, nas comunidades menos favorecidas do Brasil, o acesso aos processos básicos de limpeza ainda é escasso e, como consequência, os malefícios desse problema são crescentes.

Segundo dados da OMS, uma a cada cinco unidades de saúde no mundo não tem saneamento básico, fator que alerta não somente para a dificuldade no combate de doenças por essas instituições mas também para os centros residenciais presentes nessas áreas. Dessa forma, torna-se possível associar a situação descrita ao Complexo da Maré, um conjunto de favelas do Rio de Janeiro, o qual é exemplo da vulnerabilidade desses grupos habitacionais, no que se refere à crítica acumulação de água e lixo nas moradias, fator que compromete a vida e a dignidade de milhares de pessoas. Por conseguinte, urge que o Estado acione medidas preventivas e humanitárias a esses setores da população brasileira, com o fito de assegurar o direito ao saneamento presente na Constituição.

Analogamente, o podcast “O assunto” construiu um episódio nomeado “O impacto para quem vive nas favelas”, o qual narra os desafios desses moradores no combate à pandemia do coronavírus. Além disso, alguns depoimentos foram colhidos, reforçando as adversidades enfrentadas por essas pessoas no âmbito da higienização, visto que essa é uma das principais recomendações de prevenção ao vírus. Com base nisso, esses locais tornam-se exemplos do total desmazelo estatal e de péssimas condições de vida, uma vez que a água potável também se encontra exígua. Portanto, nota-se o despreparo governamental na luta pelo decréscimo de situações como a citada, ação que intensifica os problemas de saúde no país.

Mediante os argumentos desenvolvidos, torna-se imprescindível que atitudes estatais sejam tomadas. Destarte, necessita-se que órgãos como o Ministério do Desenvolvimento Regional e a OMS (Organização Mundial da Saúde) atuem em sincronia, no que tange à inclusão das comunidades menos favorecidas nos elevados índices de desenvolvimento, por meio de programas acessíveis de saneamento e incentivos à instalação de pontos comunitários de higienização, cujo intuito seja a universalização do direito à saúde. Assim, o Brasil tornar-se-á uma nação mais responsável e igualitária.