Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 19/10/2020
Na obra Utopia, o escritor Thomas More disserta sobre uma ilha que funcionava de forma perfeita, desse modo, os utopianos, como eram chamados os seus habitantes, desfrutavam de um ambiente harmônico. No entanto, ao analisar a precariedade do saneamento básico no Brasil, nota-se que uma parcela da população do país não usufrui do modelo de cidadania apresentada por More. À luz disso, tal conjuntura demonstra que os desafios para melhorar essa realidade perpassam por um Estado apático, como também pelo sentimento individualismo no tecido social.
A princípio, conforme o filósofo Henrique de Lima, a sociedade se assenta em um enigma de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e, por sua vez, tão primitiva em suas razões éticas. Sob esse prisma, observa-se o quadro do acesso à agua potável e à rede de esgoto no Brasil, dado que apesar da existência de leis que afirmam ser um direito do cidadão, percebe-se uma realidade que não dialoga com tais regulamento. Prova disso é que, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, 37,5% da população usufrui desse benefício. Dessarte, constata-se que a apatia do Estado em executar a sua função permite que gargalos socais sejam à tônica dessa civilização.
Ademais, de acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, “a sociedade atual transferiu a ideia de progresso como melhoria compartilhada para a sobrevivência do eu”. Nesse sentido, compreende-se que o sentimento individualista, o qual tece o comportamento do homem hodierno, faz com que o indivíduo ignore as problemáticas sociais, pois a sua satisfação está centrada em si mesmo. Isso é exemplificado, intuitivamente, por aqueles que desfrutam dos serviços sanitários, dado que, majoritariamente, não se mobilizam para fomentar a democratização desse acesso. Consoante a isso, um corpo social que ecoa o personagem “Narciso” da mitologia grega, uma vez que esse só pensava em satisfazer os seus anseios, possibilita a continuidade do quadro do saneamento básico no país.
Logo, é mister que o Estado intervenha nesse cenário. Para tanto, cabe a esse traçar políticas públicas que coíbe a precariedade do saneamento básico brasileiro. Nesse viés, o governo, mediante incentivos fiscais, estimulará empresas privadas a construírem serviços sanitários nos locais que carecem de tais benefícios, a fim de que o Estado venha democratizar o acesso à agua potável e rede de esgoto. Outrossim, a escola, por meio de palestras realizadas por sociólogos, discutirá sobre como o individualismo dificulta a formação de uma sociedade, a qual desfruta de um ambiente saudável, com o propósito de incentivar o altruísmo nas relações interpessoais do homem. Diante disso, tais posturas permitirão que o corpo social reverbere a população utopiana de More.