Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 11/01/2021
A obra “O grito” de Edward Munch, retrata um ser espantado diante de algo que parece lhe oferecer insegurança ou insatisfação. Indo além do contexto da obra original, a reação desse personagem pode ser aplicada à precariedade do saneamento básico brasileiro, já que é espantoso que a sociedade não perceba a seriedade dessa problemática. Inegavelmente, tal conjuntura tem como origem o discurso capitalista, que busca legitimar a lucratividade nas relações sociais. Assim, entre os fatores que consolidam esse panorama, destacam-se a desigualdade social, juntamente com uma negligência estatal.
É fundamental perceber, a princípio, que a falta de informação, aliada ao discurso capitalista, alicerça o atual cenário de precariedade no sistema de saneamento básico brasileiro. Isso ocorre porque os indivíduos da camada popular têm o acesso dificultado a informação, uma vez que não possui tempo ócio e recursos financeiros para obter o conhecimento. Como consequência disso, tais não conhecem os seus direitos, sendo marginalizados. Esse quadro comprova o pensamento do educador Paulo Freire que afirmará “seria uma atitude ingênua esperar que as classes dominantes desenvolvessem uma educação que permitisse às aulas dominadas percebesse como injustiças de maneira crítica”, já que percebe-se que uma sociedade com questionamentos se quer evitar.
Além disso, o menosprezo do Estado, somado à narrativa capitalista, solidifica o atual quadro de precarização do saneamento básico do Brasil. Essa situação ocorre porque o Governo, inserido no fundamento mercadológico, busca atividades que geram lucro. Como resultado disso, deixa de investir nos serviços que garantem a saúde do tecido social. Esse pensamento assemelha-se ao do sociólogo brasileiro Jessé Souza: “Existe toda uma classe social condenada ao fracasso, a ralé brasileira”, uma vez que o sistema estatal se alimenta a medida que causa mais desigualdades.
Diante do exposto, é importante destacar que a precarização do saneamento básico tem como origem clara o discurso capitalista. Dessa forma, a fim de solucionar essa problemática, o governo federal, em parceria com seus órgãos e ministérios, deveria criar um Programa Nacional para Valorização ao saneamento básico, que propusesse, ao Congresso, projetos de leis que alterassem as Diretrizes Nacionais Curriculares, com o fito de que os discentes do ensino fundamental e médio tenham conhecimento sobre a importância desse sistema, e ainda para que eles possam reinvidicar seus direitos. Ademais, é vital que esse programa crie um Fundo de Investimento com a finalidade de financiar o tratamento de doenças advinda da falta desse sistema. Espera-se que com essas medidas que a população perceba a relevância dessa problemática.