Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 21/10/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação.  Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão do precário saneamento básico em alguns lugares do Brasil.  Nesse contexto, torna-se evidente como causas a falta de empatia, bem como a má influência midiática.

Sob esse viés, a escassez de saneamento em algumas regiões encontra terra fértil na falta de empatia. Na obra ‘‘Modernidade Líquida", Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo.  Em virtude disso, há, como consequência o egoísmo, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si.  Essa liquidez que influi sobre a problemática funciona como um forte empecilho para sua resolução, dado que a maior parte das pessoas dessa sociedade não se mostra preocupadas com a situação de vida de terceiros, se estão tendo um esgoto devidamente tratado ou água potável para beber.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a má influência midiática, no sentido de silenciar o problema.  Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.  Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população sobre a precária situação que indivíduos sem saneamento vivem, levando em conta que de acordo com Instituto Trata Brasil 48% das famílias brasileiras não possuem se quer coleta de esgoto, influencia na consolidação do problema, silenciando ainda mais a situação desumana em que essa parcela da população vive.

Por tudo isso, faz-se necessária uma intervenção pontual do problema.  Assim, o Ministério da saúde, com apoio do Ministério da Cidadania, deve desenvolver ações que revertam a má influência midiática sobre a falta de saneamento básico em algumas regiões do Brasil.  Tais ações devem ocorrer nas redes sociais, por meio da produção de vídeos que alertem sobre as reais condições da questão, comparando o tratamento que a mídia dá com relatos de pessoas que de fato vivenciam tal problema.  É possível, também, criar uma “hashtag” para identificar a campanha e ganhar mais visibilidade, a fim de conscientizar a população sobre as consequências do tratamento que determinados canais de comunicação dão ao assunto.  Talvez, assim, seja possível construir um país de que Machado de Assis pudesse se orgulhar.