Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 31/12/2020

O livro “O Cortiço” de Aluísio Azevedo retrata a vivência de moradores de residências coletivas que vivem em um ambiente insalubre, sem qualquer assistência do Estado em relação ao saneamento básico. E consoante a essa criação literária é possível descrever a realidade de mais da metade dos brasileiros que não tem acesso à rede de esgoto, por exemplo. Problemática pautada na dificuldade de acesso aos recursos já disponíveis para as obras e aos projetos mal elaborados, assim, cooperando para persistência de endemias, prejuízo à saúde da população e contaminação dos lençóis freáticos.

Inicialmente, o Brasil investe muito menos do que seria necessário para atingir a meta de universalização estabelecida pela PLANSAB, consequência da grande burocracia exigida para movimentar a verba até os cofres públicos. E essa morosidade resulta em obras pela metade e persistência do menosprezo à vida, visto que, segundo o IBGE 34% dos brasileiros possuem enfermidades relacionadas à ineficácia do sistema de saneamento básico , em contraste com os direitos sociais estabelecidos pelo artigo sexto da Constituição Brasileira vigente.

Ademais, é preciso destacar a problemática de projetos mal elaborados, à princípio o planejamento é de baixa qualidade, sem levar em consideração o tipo de solo ou os índices de pluviosidade da região, e depois, há uma estimativa pouco realista dos custos necessários para todo o plano inicial ou para sua manutenção. Além disso, há a negligência de políticas públicas de saneamento básico por parte das prefeituras, que visando a reeleição apostam apenas em projetos aparentes. Assim, ignorando os impactos ambientais provocados por essa displicência e também a importância de medidas profiláticas para a saúde da população.

Portanto, para minimizar as problemáticas é preciso que o Governo Federal diminua a lentidão para o alcance das verbas por meio da digitalização de documentos em um sistema único, visto que essa medida já teria um impacto importante no processo. Em acréscimo, as Prefeitura Municipais devem impedir os atrasos e erros banais que acometem as intervenções públicas, por meio da contratação de profissionais capacitados para as obras. Dessa forma, as adversidades sanitárias descritas por Aluísio Azevedo em “O Cortiço” serão apenas ficcionais e se distanciarão da contemporaneidade.