Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 23/10/2020
Na obra “Utopia”, o escritor Thomas More discorreu sobre uma ilha que funcionava de forma perfeita. Desse modo, os utopianos, como eram chamado os seus habitantes, desfrutavam de um ambiente harmônico. No entanto, ao observar o quadro de descaso social no Brasil em relação ao saneamento básico, nota-se uma civilização que não dialoga com a de More. À luz disso, ao analisar as causas para a precariedade desse serviço no país, percebe-se que são frutos de um Estado que negligência a ética, mas também pelo sentimento individualista.
A princípio, de acordo com o filósofo Henrique de Lima, a sociedade se assenta no enigma de uma civilização tão avançada em sua razões teóricas e, por sua vez, tão primitiva em suas razões éticas. Sob tal prisma, analisa a postura do Estado, posto que apesar do Governo fomentar leis que buscam satisfazer as necessidades da sua população, o mesmo é omisso na execução desses regulamentos. Prova disso é a realidade do saneamento básico na nação, uma vez que embora o acesso à rede de esgoto e água potável apresenta-se com um direito, nota se que mais de 37% da população não usufrui desse benefício, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Assim, a falta de ética nas ações governamentais fragiliza as conquista sociais.
Ademais, conforme o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade atual transferiu a ideia de progresso como melhoria partilhada para a sobrevivência do eu. Nesse sentido, percebe-se que o sentimento individualista tece o comportamento do homem hodierno e, consequentemente, permite a construção de uma população que se silencia diante das mazelas sociais, haja vista que a sua felicidade se centra apenas no seu bem estar. Isso pode ser evidenciado por aqueles que desfrutam dos serviços sanitários, haja vista que não se observa mobilizações relevantes para democratização de tais serviços. Diante disso, tal cenário permite a continuidade na discrepâncias do acesso à benefícios essências para a qualidade de vida do ser humano.
Logo, é mister que o Estado mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse traçar políticas públicas que buscam coibir a precariedade do saneamento básico no país. Nesse viés, mediante repasses de verbas públicas, o Governo, por meio de uma pesquisa nacional realizada pelo IBGE, redistribuirá essa verba inicialmente para as cidades com o menor índice de saneamento e paulatinamente, até se estender para todo território. Outrossim, as escolas, por intermédio de aulas de filosofia e sociologia embasadas em obras de Bauman, elucidarão os perigos do individualismo no tecido social, afim de mitigar esse sentimento na sociedade. Diante disso, tal postura social conseguirá reverbera a civilização utopiana.