Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 03/11/2020
“O menino que descobriu o vento” é uma obra cinematográfica que retrata a história do engenheiro africano William Kamkwamba. Entre conflitos, o personagem deseja construir um moinho de vento para levar água à sua comunidade, escassa de acesso a redes de esgoto e abastecimento. Ao sair do contexto do filme, devido à falta de planejamento na construção das cidades e ao descaso com questões ambientais, essa situação configura-se como comum, infelizmente. Essa triste realidade afeta, negativamente, os setores da infraestrutura e do meio ambiente, o que torna cabível a análise dos desafios para o saneamento básico, a fim de melhorá-lo na sociedade brasileira.
Em primeiro plano, vale destacar o forte processo de urbanização do território nacional, outrora intensificado no século XX, como fomentador da problemática pautada. Nesse contexto, guiados pela segregação espacial, criada por esse fluxo, os bairros cresceram sem organização e apoio financeiro das instituições para a implementação de rede de água e coleta de lixo e esgoto. Dessa forma, segundo dado coletado em 2020 pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, 47% dos brasileiros não têm acesso ao esgotamento sanitário. Esse absurdo indica um número de cerca de 100 milhões de pessoas sem medidas básicas de higienização das ruas, o que revela um sério problema de infraestrutura para um país com 210 milhões de habitantes.
Outrossim, Antoine Lavoisier, grande químico francês do século XVIII, versou, em uma de suas colocações, a seguinte tese: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.”. No entanto, sem ações de saneamento, o direcionamento inadequado de dejetos humanos tem sido potencializado, o que leva à contaminação de solo e dos rios por lixo e resíduos tóxicos. Dessa maneira, esses recursos, que deveriam ser preservados para a alimentação e para o fornecimento de água potável à população, passam por processos de eutrofização e magnificação trófica. Nessa perspectiva, a transformação descrita por Lavoisier gera resultados danosos para a natureza, o que notifica o comprometimento da integridade dos indivíduos bióticos envolvidos, inclusive do homem.
Destarte, é imprescindível a adoção de medidas para melhorar o saneamento básico brasileiro, com falhas advindas da urbanização e da falta de atenção às causas ambientais. Portanto, é válido que o Ministério do Meio Ambiente, por intermédio das secretarias municipais de infraestrutura, realize a reforma e a ampliação das redes de circulação de água e esgoto. Com o auxílio de profissionais capacitados, tais como engenheiros, essas ações minimizarão os problemas de organização comentados, garantindo a integridade populacional.