Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 19/12/2020

No célebre documentário “O código Bill Gates”, é retratado o sonho e a luta diária de um magnata americano em democratizar o acesso ao saneamento básico em regiões da África, em função de milhões de crianças que morrem de diarreia por ano, em decorrência da ausência de uma estrutura de esgoto adequada. Contudo, tal problemática também persiste no Brasil, não só pela priorização de regiões com maior potencial econômico e turístico, mas também pela desigualdade intraurbana, sendo, portanto, necessária uma análise mais profunda acerca desse desafio sanitário.

A princípio, algumas regiões do país recebem mais atenção do poder público. Nesse sentido, é válido recordar o governo do presidente Rodrigues Alves, que concentrou a maior parte dos seus recursos para a urbanização da cidade do Rio de Janeiro. Nessa perspectiva, zonas distantes dos grandes centros possuem uma segregação histórica, a qual, infelizmente, ainda persiste, por meio de vícios em políticas públicas inadequadas. Dessa forma, a Constituição Federal não é cumprida, visto que ela garante o saneamento básico como um direito para todos, e não apenas para quem reside em grandes polos econômicos.

Outrossim, destaca-se a desigualdade intraurbana. Consoante o exposto, o conceito de Milton Santos, geógrafo brasileiro, é imprescindível, pois para ele, há no Brasil uma macrocefalia urbana, que ocorre por meio de uma urbanização acelerada e desenfreada. Sob esse viés, grandes metrópoles convivem com a desigualdade social de forma visível e acentuada, o que resulta na ausência de recursos primordiais como o saneamento básico para a população marginalizada. Sendo assim, cria-se problemas para os indivíduos afetados diretamente e para a sociedade como um todo, pois a falta de uma rede de esgoto adequada gera problemas ambientais a longo prazo, como a contaminação de recursos hídricos.e o descarte inadequado de resíduos sólidos.

Destarte, para modificar a realidade vigente, o Governo Federal deve concentrar recursos financeiros e logísticos para extinguir a ausência de saneamento, por meio da contratação de engenheiros qualificados que tracem planos nacionais de forma semelhante ao proposto por Bill Gates, economizando recursos com o reaproveitamento de energia proveniente da matéria orgânica, a fim de diminuir os custos estruturais de uma rede de esgoto ao longo do território nacional. Logo, o sonho de Bill será possível e a problemática será superada.