Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 31/12/2020

O filme “Saneamento Básico” retrata a luta de uma comunidade para conquistar o direito ao tratamento de esgoto e melhores condições de vida. Fora da ficção, essa ainda é a realidade uma grande parcela de brasileiros, principalmente moradores de áreas mais afastadas e com menos investimentos do Estado. Nesse contexto, evidencia-se a influência do fenômeno da globalização e o crescimento urbano no aumento das desigualdades sociais, gerando uma vulnerabilização, tanto física quanto econômica, da camada social mais necessitada.

Em primeira instância, deve-se explicitar que o saneamento básico para todos é um direito assegurado na Constituição Federal. Entretanto, essa lei não é cumprida, já que quase metade da população brasileira não possui acesso ao tratamento de esgoto de qualidade, segundo a Organização Mundial da Saúde. Nesse sentido, o geógrafo Milton Santos, tal paradoxal fenômeno como uma “globalização perversa”, no sentido de que o crescimento urbano, ao promover avanços sociais, acaba por potencializar a elitização das cidades, que gera uma torpe segregação social, concentrando recursos em áreas mais ricas e desrespeitando direitos básicos.

Por conseguinte, esse aumento da desigualdade é extremamente danoso, a partir de uma maior exposição de menos pobres à perigosas doenças transmitidas pela água contaminada e resíduos mal depositados, como a leptospirose e a ancilostomose. Sob tal ótica, o autor pré-modernista Monteiro Lobato, a partir do personagem Jeca Tatu, buscou expor os perigos desse problema grave e como ele pode afetar a população tanto do campo quanto da cidade, tornando mais difícil para as camadas mais vulneráveis ​​escaparem de tal situação.