Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 14/01/2021

A obra “O Cortiço” de Aluísio Azevedo trata principalmente o cotidiano de pessoas vítimas da gentrificação, que em decorrência disso vivem num cortiço em condições insalubres. Fora da literatura, a realidade apresentada não é diferente, visto que parte da população brasileira ainda sofre com essa problemática. Esse problema não só afeta diretamente a saúde pública e o meio ambiente, como evidencia a desigualdade social no país.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2017 mais de 90% da região sudeste já tinha serviço de esgoto, enquanto no Norte esse número cai para 16,2%. Diante dessa informação, é possível afirmar que algo que deveria ser um direito assegurado pelo Estado se tornou um privilégio que atende apenas uma parte dos brasileiros. Além disso, é incoerente que após um século de avanços, a questão do saneamento ainda seja um grande problema para substancial parcela dos habitantes do país.

Ademais, é importante ressaltar os efeitos sobre a saúde pública, uma vez que a falta de higiene e de tratamento de esgoto pode ocasionar focos de enfermidades, favorecendo também o aparecimento de animais vetores das doenças. Além disso, é válido dar relevância às questões ambientais, visto que ainda ocorre o descarte indevido de lixo em locais sem nenhum controle ou  tratamento, podendo acarretar em poluição atmosférica, do solo e lençóis freáticos, ou até mesmo causar enchentes e afetar a qualidade de vida dos moradores de determinada região.

Desse modo, infere-se que medidas são necessárias a fim de diminuir as consequências da falta de acesso ao saneamento básico. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde e ao do Meio Ambiente promover a conscientização a respeito do tema, por meio de campanhas públicas anuais sobre o descarte correto do lixo, propagação de doenças e suas profilaxias, também para evitar maiores problemas a longo prazo.