Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 14/01/2021
Na obra “Utopia”, do escritor Thomas More, é retratada uma ilha imaginária na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Todavia, o que se observa na realidade brasileira é o oposto do que foi idealizado por More, uma vez que o precário saneamento básico destaca-se como um importante desafio a ser enfrentado pela sociedade. Esse cenário tem sua origem não só no desinteresse social no âmbito politico, mas também na carência de investimentos públicos. Logo, convém a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigá-la.
Vale ressaltar, a princípio, o desinteresse da população no âmbito politico. Nesse sentido, o desconhecimento social dos direitos garantidos na constituição e a falta de mobilização contribuem para a perpetuação do descaso governamental frente ao saneamento básico precário. Sob essa perspectiva, o educador Paulo Freire destaca a educação como elemento fundamental para mudanças sociais e, por isso, defendia um ensino capaz de estimular reflexões críticas que levem a uma maior compreensão da sociedade. Desse modo, nota-se a importância da educação contra a alienação política para promover mobilizações sociais.
Ademais, outro fator que contribui para o precário saneamento básico é a carência de políticas públicas que proporcionem melhorias nesse setor. Consequentemente, esse descaso resulta na propagação de doenças relacionadas ao contato com água contaminada, aumento da desigualdade social e poluição do meio ambiente. Nesse sentido, conforme o filósofo Maquiavel, no livro “O Príncipe”, para se manter no poder o governo dispõe-se à incumbência de operar e ter como objetivo o bem universal. Dessa maneira, evidencia-se a necessidade da reformulação da postura estatal diante desse problema de forma urgente.
Portanto, providências devem ser tomadas para amenizar o quadro atual. Cabe ao Ministério da Educação criar um projeto para ser desenvolvido nas escolas que, por meio de discussões engajadas e palestras, possua como finalidade ampliar o conhecimento da população sobre os seus direitos constitucionais, o que inclui o saneamento básico. Esses eventos devem contemplar desde a educação básica até o ensino superior e contar com a participação de profissionais especialistas no assunto para satisfazer as possíveis dúvidas. Somado a isso, o Ministério da Saúde deve, por meio do redirecionamento de verbas governamentais, investir na construção de instalações de tratamento de água e esgoto, com a finalidade de efetivar o direito de saneamento básico em áreas mais afastadas, como nas periferias de grandes metrópoles e no interior do país. Assim, essas medidas possibilitarão a concretização de transformações desejáveis na realidade brasileira.