Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 15/01/2021

A Reforma Pereira Passos, ocorrida no Rio de Janeiro, no século XX, direcionou investimentos para melhoria do saneamento básico do centro da cidade, em detrimento das áreas periféricas, o que favoreceu a favelização. Nos dias hodiernos, ainda se observa tal segregação espacial, visto que as regiões periféricas continuam mal assistidas pelo Estado. Portanto, é cabível uma análise acerca da falta de saneamento básico no Brasil, problemática que tem como causa o desdém do Estado em relação ao subúrbio e a urbanização tardia ocorrida no país.

Em primeira análise, sabe-se que, historicamente, as áreas suburbanas concentram menor investimento financeiro por parte do Governo. Isso se deve ao fato de que essas movimentam pouco a economia e não representam áreas ecúmenas, ou seja, atrativas, como os grandes centros. Dessa forma, as populações suburbanas padecem com a falta de infraestrutura básica essencial à vida, como água e esgoto encanados. Assim, os cidadãos ficam expostos a parasitoses, como a Ascaridíase e a Amebíase, provocando sobrecarga do Sistema Único de Saúde (SUS).

Outrossim, sabe-se que a urbanização tardia e repentina contribuiu para o inchaço das cidades e consequente escoamento da população para áreas despreparadas estruturalmente para abrigá-la. A razão disso é que, segundo o geógrafo Milton Santos, o fenômeno da globalização e urbanização se deu de forma grotescamente desigual nos países do Terceiro Mundo. Dessa forma, vê-se que, mesmo havendo programas para investir no abastecimento, como o Plano Nacional do Saneamento Básico, a maioria dos municípios brasileiros não conseguiu efetivar tal medida.

Portanto, torna-se evidente que a falta de planejamento urbano e a segregação são causas primordiais para a persistência da problemática. Assim sendo, o Poder Executivo dos municípios deve direcionar investimentos, por meio da arrecadação de impostos, para o cumprimento do Plano Nacional do Saneamento Básico, para que a população periférica fique mais bem assistida e não contraia doenças parasitárias.