Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 18/03/2021

“Parasita’’ - produção ficcional sul-coreana - retrata os desafios enfrentados pela família Kim, que, excluída de qualquer política de tratamento básico, vive em situação deplorável. Contudo, tal imbróglio não se restringe apenas ao filme, pois é perceptível que, no Brasil, ainda existem famílias com a realidade da protagonista da ficção. Nesse viés, é necessário valorizar a dignidade humana e resolver a ineficiência estatal histórica.

Diante desse cenário, a crise sanitária inviabiliza o efetivo tratamento digno de humanidade. Nesse contexto, em 2019, a Organização Mundial da Saúde - OMS - por meio da Agenda 2030, alegou que 50% dos brasileiros, em cenário de desigualdade social, não dispõem de acesso ao saneamento mínimo - de acordo com dados do Ministério da Saúde. Assim, essa negligência fere a integridade desses indivíduos, que são expostos diariamente ao risco de contaminação de graves doenças. Logo, não é razoável que a escassez de recursos sanitários esteja presente em um país que almeja o desenvolvimento nacional.

Outrossim, é válido ressaltar que as adversidades para aprimorar as políticas de tratamento básico são históricas. A esse respeito, o médico Oswaldo Cruz - responsável pelas políticas sanitárias - implementou medidas como a coleta de lixo e o tratamento do esgoto: caminhos imprescindíveis para o equilíbrio ambiental. Entretanto, tal evolução é incapaz de favorecer a todos os cidadãos na contemporaneidade, visto que há uma ineficiência do Poder Público em progredir esse avanço. Ademais, essa atitude incoerente dos governantes evidencia um alarmante retrocesso para a sociedade atual. À vista disso, enquanto a negligência estatal se mantiver, substancial parcela dos brasileiros terá que conviver com um péssimo obstáculo social: a ausência de direitos básicos.

Portanto, é urgente que a crise sanitária deixe de ser realidade no país. Para isso, cabe ao Ministério das Cidades promover a dignidade humana dos indivíduos, por meio de políticas salubres e eficazes, como limpeza urbana e o tratamento de resíduos sólidos - de esgoto e de água - com foco nas regiões periféricas, capazes de equalizar o acesso ao essencial. Essa iniciativa deve se chamar “Saneamento presente’’ e teria a finalidade de romper com a inércia das autoridades e com as dificuldades históricas. Dessa forma, a situação representada no filme sul-coreano deixará de ser realidade no Brasil.