Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 18/04/2021

O livro “O Cidadão de Papel”, de Gilberto Dimeinstein, propõe tirar o automatismo do olhar e enxergar as mazelas do Brasil contemporâneo. Nesse viés, o saneamento básico ainda é uma problemática recorrente na atualidade. Sendo assim, seja pela ineficiencia governamental, ou então pelo processo de formação das áreas urbanas, a problemática vem silenciosamente se agravando e necessita de reflexão urgente.

Primeiramente, cabe ressaltar que a ausência do Estado com medidas para  o combate ao problema é um fator contribuinte. Nesse sentido, as áreas que não possuem a cobertura do sistema de saneamento básico não recebem o tratamento devido, pois o Governo não atende com visitas técnicas, ou então com a fiscalização das empresas terceirizadas que deveriam realizar o serviço. Isso pode ser comprovado com a pesquisa realizada pelo Instituto Trata Brasil, em que nota-se que pouco mais de 40% da população brasileira têm seu esgoto coletado. Logo, entende-se que as autoridades competentes não prestam o apoio devido à população, em específico àquela que não têm o saneamento básico devido.

Em segundo lugar, o processo de formação das cidades em sua maioria se deu de maneira desordenada. Assim, muitas áreas periféricas foram geradas e, com isso, não receberam a mesma atenção em comparação às regiões centrais fazendo com que problemas relacionados à ocupação de pessoas fossem surgindo, mas não solicionados. A exemplo, temos as favelas que formaram em grande maioria nas encostas e, então, não possuem esgoto coletado e tratado ou até drenagem urbana. Enfim, compreende-se que a formação histórica das cidades e seus arredores influenciou diretamente na presença de serviços básicos.

Em suma, a problemática ainda existe e necessita de solução. Deste modo, cabe ao Governo prover (ou fiscalizar as empresas encarregadas de realizar os serviços de saneamento básico) os serviços necessários para o saneamento nas regiões que carecem de tal por meio da assistência técnica das equipes com o objetivo de reduzir a diferença entre as regiões menos urbanizadas e mais urbanizadas - e prover serviços de qualidade à população -. Portanto, poder-se-a  atenuar a situação próximo ao discutido por Dimenstein em sua obra “O Cidadão de Papel”.