Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 20/04/2021
No artigo “Três milhões de idiotas”, de Monteiro Lobato, é revelado, no século XX, o descaso com a saúde pública por parte do governo brasileiro, evidenciando o desinteresse em tratar questões básicas, como a precariedade do saneamento básico. Hodiernamente, esse quadro segue vigente no país, sendo notório que o pouco investimento estatal e a falta de educação familiar são os fatores para esse impasse. Logo, é necessário analisar os desafios detrás dessa problemática.
É imperioso ressaltar que a circunstância na qual o Brasil se encontra, em referência ao précario saneamento básico, é uma consequência do pouco investimento estatal, haja vista que o poder público não adota medidas que evitem a má estrutura do tratamento da rede de água e esgoto. Tal questão pode ser justificada pelo fato de que 35 milhões de brasileiros vivem sem água tratada e cerca de 100 milhões vivem sem acesso à coleta de esgoto, conforme os dados do Ranking do Saneamento, feito pelo Instituto Trata Brasil. À vista disso, a perpetuação dessas práticas colaboram para um cenário insalubre, já que essa parcela de moradores, que não possui tais benefícios, torna-se mais vulnerável a doenças que poderiam ser impedidas, caso tivessem a oportunidade de desfrutar de um saneamento básico adequado.
Compreende-se, por outro lado, que a ausência educacional familiar é um obstáculo no combate ao péssimo saneamento ambiental, visto que a participação familiar é importante para a formação do cidadão. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, boa parte do indivíduo é construído socialmente pela educação, cuja as normas e os princípios influenciam a sua conduta. Isto significa dizer que as pessoas, em sua infância, ao conviverem em um ambiente familiar, no qual não há instrução sobre o seu papel para o funcionamento correto da sociedade e nem a conscientização acerca da preservação dos recursos naturais, tornam-se uma ameaça ao avanço no setor de saneamento, já que podem vir a ter ações incorretas quanto ao descarte do lixo e ao consumo da água. Destarte, a inexistência de uma educação ambiental contribui para a monotonia social.
Infere-se, portanto, que esses dilemas atrapalham a melhoria do saneamento básico no Brasil. Para tanto, o governo deve empregar nas cidades os planos de medidas sanitárias, por intermédio de investimentos no tratamento de água e da rede de esgoto com revisões de resguardo, com o propósito de conter os índices de doenças e condicionar o bem-estar da população. Já a escola, com apoio da família, deve introduzir na rotina das crianças cartilhas educativas a respeito do saneamento básico. Somente com medidas como essas que o Brasil será um exemplo a ser seguido.