Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 06/04/2021

O êxodo rural, intensificado no século XX em detrimento da industrialização, provocou um inchaço populacional nas cidades brasileiras, tornando necessário um novo planejamento urbano. Entretanto, essas reformas não foram uniformes por todo o país, visto que, em pleno século XXI, ainda existem regiões com poucos serviços sanitários. Sendo assim, é viável analisar as causas e as consequências dos desafios para melhorar o precário saneamento básico no Brasil.

Em primeiro lugar, é válido reconhecer que esse panorama supracitado é resultado da desigualdade socioespacial atrelada à falta de investimento do Estado. Com base nisso, sabe-se que os territórios do Brasil são claramente discrepantes, uma vez que os grandes centros urbanos são mais desenvolvidos e estruturados, mas, em contrapartida, as áreas periféricas, isto é, bairros subdesenvolvidos e ocupados pela população carente, são subdesenvolvidos e sofrem com o precário saneamento básico, como a falta de água potável e a  ausência de estações de esgoto. Porém, esses desafios são incoerentes frente à Constituição Federal de 1988, que assegura a todo cidadão condições básicas de saúde e de vida. Logo, a carência de recursos estatais é um empecilho para melhorar os serviços sanitários nas localidades mais pobres, além de desrespeitar a dignidade humana.

Outrossim, as consequências da falta de saneamento básico são devastadoras para toda a população do país. Somado a isso, é evidente que os moradores de bairros carentes são os principais alvos de patógenos, como a cólera, a poliomielite e a leptospirose, provenientes de águas impróprias para o consumo e do excesso de lixo, causando o surgimento de epidemias que se alastram por todo o território. À exemplo disso, o Rio de Janeiro sofreu um surto de varíola, causado pela falta de limpeza na cidade, gerando a morte de muitos dos seus habitantes. Dessa forma, é inadmissível que em pleno avanço urbano e científico, o Brasil aindo sofra com epidemias que podem ser evitadas com a melhoria de projetos sanitários.

Posto isso, há a urgência de solucionar esses desafios da saúde pública. Para isso, urge que o Estado, em parceria com o instituto Trata Brasil, invista em um novo e amplo planejamento urbano que abranja todos as regiões do país, com novos projetos de saneamento básico, como a implantação de estações de tratamento nas cidades pequenas, além de regularizar as coletas de lixo nos bairros periféricos e promover a potalização da água, a fim de que, dessa forma, haja a melhoria da condição de vida de toda a população brasileira.