Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 18/04/2021

No livro “O cortiço”, obra do naturalismo, Aluísio Azevedo denuncia várias mazelas sociais do fim do século XIX. Contudo, mesmo tendo sido escrito há mais de 100 anos, o romance continua atual, pois o saneamento básico ainda é um entrave que causa dano à sociedade, impedindo o progresso da nação. Sob esse viés, pode-se analisar que tanto a falta de investimento em políticas públicas, como a negligência da sociedade agravam e prolongam o problema.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que as políticas públicas são essenciais para assegurar a qualidade de vida dos indivíduos. Entretanto, o governo não investe como deveria no saneamento básico, segundo Wender Starlles, repórter no guia do estudante, somente metade da população tem acesso à rede de esgoto, e ainda, 53,7% do que é coletado não é tratado. Além disso, o jornalista afirma que 35 milhões de pessoas vivem sem água potável. Dessa forma, o poder público não consegue garantir o bem estar social dos brasileiros, não cuprindo, assim, a sua função, pois, a precariedade desses sistemas gera sérios problema de saúde, levando a doenças como: cólera, leptospirose, disenteria bacteriana, zika e dengue.

Em segundo lugar, vale ressaltar que de acordo com o pesquisador Marcelo Néri, o problema da falta de saneamento será resolvido somente com vontade política e mobilização social. Ou seja, ao contrário do que muitos acreditam, não é só o Estado que pode fazer algo para mudar essa situação, a população também pode, no entanto, nota-se que esses não tem reivindicado seus direitos. Isso ocorre principalmente porque, conforme o jornalista Gilberto Dimenstein, o grande mal do cidadão é não enxergar as mazelas sociais, ou melhor dizendo, o brasileiro não percebe que a parcela da sociedade que vive essa problemática muitas vezes é mais carente, não tem conhecimento dos seus direitos e nem dos meios para obtê-lo. Logo, faz-se mister que o brasileiro se veja como parte integrante da comunidade em que vive, pois só assim será capaz de intervir nela.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever da população pressionar o prefeito de sua cidade e cobrar avanços no saneamento básico. Essa medida deve ser feita por meio de manifestações ou protestos, e, para tanto, é necessário formar um grupo de voluntários do saneamento local e convidar os moradores e a prefeitura para ajudar, com a finalidade de democratizar os serviços sanitários e garantir que todos tenham acesso ao saneamento básico. Desse modo, será possível tornar o país um lugar mais seguro para os brasileiros viverem.