Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 08/04/2021
Na obra “Problema Vital, Jeca Tatu e outros textos”, de Monteiro Lobato, é revelado, no século XX, o descaso com a saúde pública por parte do governo brasileiro, evidenciando o desinteresse em tratar questões básicas, como a precariedade do saneamento básico. Hodiernamente, esse quadro segue vigente no país, sendo notório que o pouco investimento estatal e a falta de educação familiar são os fatores para esse impasse. Logo, é necessário analisar os desafios detrás dessa problemática.
A princípio a situação deplorável que o Brasil se encontra, em relação ao precário saneamento básico, não se relaciona somente com a expansão sem planejamento e infraestrutura das cidades, mas também com a falta de investimentos do Estado no tratamento de água e esgoto. Isso se comprova porque apenas 46,3% do esgoto gerado no país é tratado, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Regional referentes a 2018. Diante disso, evidencia-se que essa parcela de moradores, que não possui tais benefícios, torna-se mais vulnerável para contrair doenças que poderiam ser evitadas se pudessem ter acesso a um saneamento básico adequado.
Compreende-se, por outro lado, que a ausência educacional familiar é um obstáculo no combate ao péssimo saneamento ambiental, visto que a participação familiar é importante para a formação do cidadão. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, boa parte do indivíduo é construído socialmente pela educação, cuja as normas e os princípios influenciam a sua conduta. Isto significa dizer que as pessoas, em sua infância, ao conviverem em um ambiente familiar, no qual não há instrução sobre o seu papel para o funcionamento correto da sociedade e nem a conscientização acerca da preservação dos recursos naturais, tornam-se uma ameaça ao avanço no setor de saneamento, já que podem vir a ter ações incorretas quanto ao descarte do lixo e o consumo da água. Em suma, a inexistência de uma educação ambiental contribui para a estagnação social.
Infere-se, portanto, que esses dilemas atrapalham a melhoria do saneamento básico no Brasil. Para tanto, o governo deve empregar nas cidades os planos de medidas sanitárias, por meio de investimentos no tratamento de água e da rede de esgoto com revisões de resguardo, a fim de conter os índices de doenças e condicionar o bem-estar da população. Já a escola, com apoio da família, deve introduzir na rotina das crianças cartilhas educativas sobre o saneamento. Assim, o país deixará isso na história.