Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 08/04/2021

Na Idade Antiga, a civilização romana adotava medidas para dispor de água limpa e dar um destino aos detritos. Antecipadamente, nessa época, já se concebia a ideia de que o acúmulo de lixo e a água suja geravam problemas relacionados à saúde. Hodiernamente, apesar desse pressuposto, a população brasileira ainda se encontra em situações de precarização do saneamento básico. Nesse contexto, a inexistência ou a incompletude de infraestruturas se deve a falta do verdadeiro compromentimento do estado com essas populações, que geralmente encontram-se marginalizadas. Logo, as regiões que não possuem uma rede de tratamento de esgoto, água tratada ou ineficiência da coleta de lixo, são constituídas de uma grande incidência de patologias.

Em primeiro lugar, os indivíduos que encontram-se em áreas desfavorecidas são aqueles que majoritariamente enfrentam os impactos da fragilidade do saneamento básico no Brasil, visto que são lugares que possuem uma estigmatização e segregação por parte da sociedade. A Pesquisa Nacional de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE em 2018, constava que 85,8% das casas brasileiras detinham o abastecimento de água potável. Porém, quando estes dados são estratificados, é possível enxergar a disparidade entre os estados, de forma que a região Sul, Sudeste e Centro-Oeste, possuem índices que giram em torno de 80% a 96%, enquanto os estados com menor acesso estão localizados na região Norte e Nordeste que totalizam 43,6%. Sendo assim, é possível enxergar as disparidades dos serviços de saneamento básico que assolam as regiões com habitantes pobres.

Além disso, as adversidades provinientes da ausência de condições sanitárias mínimas para a população tupiniquim, estão presentes em um espectro que envolve a saúde dos indivíduos. Dessa forma, as patologias que comprometem a qualidade de vida das pessoas estão relacionadas ao contato com a água contaminada, resíduos ricos em microorganismos, compostos tóxicos e nutrientes, que servem de alimento para bactérias decompositoras. Nesse contexto, as condições citadas se configuram como um grande número de causas para a disseminação de doenças como a esquistossomose, dengue, leptospirose, giardíase e entre outras.

Portanto, é inegável os efeitos multifatoriais da precarização do saneamento básico brasileiro. Desse modo, torna-se imprescindível a atuação da Unidade Básica de Saúde, que pode mover-se partindo de um dos princípios do SUS, aquele que se refere ao controle social, realizando ações de fiscalização direta, juntamente com a sociedade civil, através de mobilizações e diálogos com a gestão pública a respeito de construções de infraestruturas que garantam o saneamento básico. Desse modo, com a ação conjunta da população, as condições sanitárias poderiam estar na realidade brasileira.