Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 10/04/2021
Ao analisar o histórico infraestrutural brasileiro, comparado com os países desenvolvidos, é notável o atraso no processo da criação de sistemas de serviços públicos. Afinal, enquanto na França e na Inglaterra se debatia sobre higienismo e medicina urbana, no Brasil, o esgoto era recolhido em barris, que mais tarde seriam arrastados pela cidade, por escravos denominados Tigres, e despejados no mar em estado bruto. Ligado a desestruturação social no país e a falta de investimentos em obras que priorizem a gestão sustentável dos resíduos sólidos, o Sistema de saneamento básico brasileiro, que só começou a ser financiado no século 20, é escasso e insuficiente, levando a nação a enfrentar diversas adversidades, como mazelas provocadas pela falta de água canalizada e acúmulo de lixo nas ruas e mares.
Estudos realizados pelo Ministério de Desenvolvimento Regional revelam que em 2018, apenas 53,2% da população tinha acesso a rede de esgoto, e que 46,3% dele era tratado. Devido ao ciclo do café e a migração massiva para o sudeste no século XIX, as regiões Norte e Nordeste foram as mais desfavorecidas quanto ao desenvolvimento econômico do país, desde acessos a tecnologias até à obtenção de esgoto tratado e água canalizada. Junto a isso, há difculdade no transporte de materiais para construção de redes de esgotos e canalizações, devido a longinquidade e a má conservação das estradas que ligam a malha viária dessas regiões.
Outra problemática encontrada quanto a implantação de saneamentos básicos, se encontra na falta de investimentos por parte dos governos para capitalizar obras e financiar projetos de pesquisa que solucionem o despejo de lixo em locais irregulares e em corpos hídricos, que desaguam no mar. Dados revelados pela Assossiação Brasileira de Empresas de Limpeza Públicas e Resíduos Especiais (Abrelpe) mostram que cerca de 2 milhões de toneladas de lixo são encontrados anualmente na costa brasileira, prejudicando a biota local e gerando diversas mazelas para o corpo social.
Posto isso, para que as problemáticas relacionadas ao saneamento básico brasileiro sejam solucionadas, faz-se preciso medidas tanto por parte do governo quanto pela população. Para esse, é imprencindível o aumento no orçamento destinado a obras sanitárias que resultem no crescimento assertivo dos índices de saneamentos e em projetos de pesquisas que desenvolvam a gestão sustentável dos resíduos sólidos, como a impantação de redes coletoras nas saídas dos canais hídricos para reduzir a poluição dos rios e mares. Para o povo, é preciso sensatez quanto ao comportamento e práticas diárias, como depositar o lixo em locais adequados e reutilizar bens duráveis, visando ética, melhoria na qualidade de vida e redução dos impactos ambientais antrópicos.