Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 18/04/2021
Os primeiros registros de saneamento básico no Brasil são datados ainda no século XVI, após a chegada dos portugueses. No entanto, mesmo após anos de desenvolvimento, a situação do tratamento de água e esgoto ainda é ineficaz ou inexistente em muitas regiões do país, deixando grade parte da população vulnerável a diversos males. Isso ocorre devido a falta de investimentos públicos e a falta de planejamento urbano.
Segundo o Instituto Trata Brasil, em 2020, quase 100 milhões de brasileiros não possuem cobertura da coleta de esgoto e 35 milhões não tàm acesso a água tratada. A falta de recursos monetários voltados para a área sanitária faz com que os planos de universialização de saneamento fiquem cada vez mais distantes de serem efetivados. O Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB) estima que o atendimento de água será universializado em 2043, e o tratamento de esgoto apenas em 2054.
Além disso, o crescimento desenfrado e sem planejamento da população, sobretudo nas áreas urbanas, criou diversos problemas logísticos na aplicação de saneamento básico. As complexas obras de coleta de esgosto, por exemplo, causam diversos incômodos para serem implantadas e geram altos custos para serem executadas, fazendo com que sejam negligenciadas pelas campanhas de governo e gestão pública.
Enquanto isso, a população continua sofrendo com os problemas causados por esse problema. O conto “Três Milhões de Idiotas” de Monteiro Lobato fala sobre a morte de milhares de pessoas no país em decorrência das precárias condições sanitárias no início do século XX, mas esse cenário ainda pode ser observado nos dias atuais. Segundo o levantamento do IBGE, doenças diretamente relacionadas à falta de saneamento ainda são importantes causas de epidemias e endemias no Brasil.
Como forma de solucionar esse problema, é preciso que o Estado possua um plano de reestruturação de infraestruturas, promovendo obras de tratamento de esgoto e distribuição de água tratada, não só em regiões de renda elevada, mas sobretudo em regiões períféricas, com altos índices de infecções, mortalidade infantil e maiores desigualdades sociais.