Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 11/04/2021

Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil e morreu frustrado ao ver que elas não aconteceram. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vista que entrave, como a precariedade no saneamento básico, se faz presente no corpo brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar como parte da população não possui acesso a um bom saneamento e como a sua falta prejudica diretamente a qualidade de vida das pessoas.

Observa-se, em primeira instância, que a falta de rede de esgostos pode ser um problema para a sociedade brasileira. Sob essa ótica, tal entave se diverge de utopia de Brasil narrada por Barreto, na medida em que 47% dos brasileiros precisam utilizar medidas alternativas para lidar com seus dejetos pois não possuem acesso aos sistemas de esgotamento sanitário, de acordo com o site G1. Ademais, a Lei do Saneamento Básico prevê a universalização do abastecimento de água e do tratamento da rede de esgotos no país, algo que notoriamente não está sendo cumprido, de acordo com os dados, mostrando-se, então, necessário que o governo dê mais atenção ao assunto.

Outrossim, vale ressaltar que o precário sistema de saneamento prejudica a saúde das pessoas. Nesse contexto, ganha voz a percepção do sociólogo Émile Durkheim, ao afirmar, na obra “Estudo do método sociológico”, que os instrumentos sociais obrigam os indivíduos a se adaptarem às regras da sociedade. Esse pensamento, em sua essência, revela a má qualidade do governo em relação ao que é garantido por Lei para os cidadãos, fazendo com que eles tenham que achar diferentes maneiras de ter água potável e de lidar com seus resíduos sólidos.

Tendo em vista os fatos supracitados, é notória a necessidade de que o governo, juntamente ao Ministério da Saúde, por meio de projetos governamentais, disponibilize um maior número de verba para que os números de pessoas sem acesso ao saneamento básico diminua. Também se mostra necessário que o Ministério da Saúde, por meio de campanhas, dê mais atenção para aqueles que vivem em lugares sem rede de esgoto e mostram sintomas de doenças que podem ser adquiridas por contato com resíduos que deveriam ir para o esgoto, para que a qualidade da saúde e de vida dessas pessoas melhore.