Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 12/04/2021

O ser em destaque na obra “O Grito”, do artista norueguês Edvard Munch, parece experimentar extremo desconforto e pânico diante do desconhecido. Essa representação vai de encontro à ausência do sentimento de estranhamento social diante dos impactos negativos causados pelo precário sistema de saneamento básico brasileiro, já que, contrário à personagem, o corpo social age de forma indiferente ante o problema, tornando evidente a existência de desafios para o combate ao mesmo. Assim, entre os fatores que contribuem para aprofundar essa realidade, destacam-se a negligência governamental e a omissão da sociedade.

Em primeiro plano, é fundamental ressaltar que a falta de atuação estatal, pautada pela visão de curto-prazo dos representantes políticos, corrobora a problemática. Isso se deve à atuação, baseada em uma cultura de recompensa, dos governantes, que fazem somente aquilo que traz retorno imediato, com vistas à aceitação popular e na continuação do seu mandato. Por conseguinte, os representantes tornam invisíveis os problemas sistêmicos, como é o caso do precário sistema de saneamento, já que a sua resolução demanda um tempo além do mandato político. Isso pode ser comprovado pela atuação de agentes políticos que focam, por exemplo, na construção de estradas e rodovias, ao invés de investir na melhoria dos serviços de coleta e tratamento de esgoto.

Ademais, a passividade do corpo social favorece a permanência desse quadro deletério. Isso ocorre, pois boa parte da sociedade, motivada pelo comodismo e pela habitualidade, não questiona a existência de péssimas condições de vida e da precariedade dos serviços de saneamento básico que afetam as minorias sociais. Nesse contexto, dados divulgados pelo veículo “Agência Estado” afirmam que apenas 50% dos habitantes brasileiros possuem acesso à rede de esgoto. De fato, a ausência de cobrança, por parte da coletividade, pelo aprimoramento da rede de saneamento básico contribui para a permanência do imbróglio. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para combater o avanço da problemática no país. Dessa forma, a fim de mitigar o incômodo, é imprescindível que o Poder Executivo – prefeitos, governadores e presidente – direcione atenção e capital para o setor de serviços básicos, sendo isso realizado por intermédio do investimento em melhorias e na ampliação da rede de tratamento de água e coleta de esgoto. Além disso, as ONGS devem, por meio de recursos midiáticos, promover discursos e propagandas que conscientizem a sociedade da real necessidade de participar ativamente da construção social e estrutural do Estado. Com efeito, atenuar-se-à o imbróglio e a sociedade deixará de ser indiferente, contestando a situação problema assim como a personagem da obra de Munch.