Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 21/05/2021

A obra “O cortiço”, do naturalista Aluísio de Azevedo, retrata o cotidiano de ex-escravos e outros trabalhadores em estalagens coletivas que se popularizam no Rio de Janeiro. No ápice da trama, as condições de higine são precárias, insalubres e vulneráveis. Entretanto, esse dilema não se resume apenas a ficção, na medida em que a falta de saneamento básico faz-se presente na metade da população brasileira. Com efeito, é necessário valorizar a dignidade humana e resolver a ineficiência história criada.

A princípio, a crise sanitária dificulta o tratamento digno da humanidade. A esse respeito, a OMS elaborou por meio da agenda de 2030, que tratar da distribuição  do esgoto é condição fundamental para a dignidade. Ao passo que, 50% dos cidadãos brasileiros, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, não dispõe dos acessos básicos de saneamento como: tratamento do esgoto, água filtrada, coleta de lixo, garantidos pela OMS. Essa ausência fere a integridade desses indivíduos, que, diariamente, são expostos a doenças e risco de contaminações. Dessa maneira, não é viável a escassez de recursos sanitários a um país que almeja o desenvolvimento nacional.

Ademais, o médico Oswaldo Cruz - responsável pelas políticas sanitárias- implementou medidas como a coleta de lixo e o tratamento de esgoto: medidas indispensáveis para a sobrevivência humana. Todavia, a questão levantada no século passado é incapaz de favorecer toda a população na contemporaneidade, haja vista a omissão de um Poder Público que assegure, na teoria, os princípios básicos para a população. Além disso, esse ato evidência um cruel retrocesso a sociedade que antes fora privilegiada com a conquista de Oswaldo. Dessa maneira, enquanto a negligência do Estado se mantiver, grande parcela dos cidadãos terão que conviver com os obstáculos proporcionados pela falta de saneamento básico.

Fica evidente, portanto, que devem ser feitas melhorias no sistema sanitário. Para isso, o Conselho Nacional de Saúde, juntamente com o Governo Federal, devem melhorar a dignidade humana, por meio de políticas sanitárias eficazes, como a limpeza urbana, tratamento de resíduos, de esgoto e de água, com o maior foco nas regiões mais vulneráveis e carentes. Essa iniciativa poderia se chamar “Sanitária Presente” e teria a finalidade de romper a inércia das autoridades governamentais e com as dificuldades histórias, e assim, os cidadãos poderão deixar de viver, como no livro escrito por Aluísio.