Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 15/06/2021

Durante o século XIV, a Europa passou pela pandemia da peste negra, doença que matou milhões de pessoas. Ainda que separados por alguns séculos, é possível comparar o contexto europeu com o contexto do Brasil hodierno, visto que uma das principais razões para a persistência da peste negra na Europa era a péssima condição de saneamento básico. Ao analisar a problemática, percebe-se que ela está vinculada a fatores como incapacidade estatal e corrupção, fazendo-se necessária a extinção dessa conjuntura.

Nessa perspectiva, é lícito destacar a incompetência do governo como causa do impasse. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil é o nono país mais desigual do mundo. A par disso, é indubitável que o país apresenta áreas muito pobres que são ignoradas pela elite governamental. Conforme o sociólogo Darcy Ribeiro, a classe dominante brasileira é enferma de desigualdade. Nesse contexto, o estado precário do saneamento básico classifica-se como um problema gerado por uma desigualdade originada das autoridades públicas federais e municipais. Consequentemente, é essencial superar esses paradigmas, para que a população não continue a ser prejudicada.

Outrossim, é possível somar aos aspectos supracitados a corrupção como fator que impossibilita a melhora do saneamento básico brasileiro. No decorrer da República Velha, era comum a ocorrência de votos de cabresto, principalmente em regiões menos afortunadas. É incontrovertível que a história é cíclica e que episódios de corrupção mantém uma herança na política tupiniquim. À vista disso, nota-se que a população brasileira que não tem acesso ao saneamento básico encontra-se em situação de enorme vulnerabilidade, sem seus direitos básicos assegurados por aqueles que deveriam fazê-lo. Assim, é legitimada a afirmação de Eçá de Queiroz: “políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelos mesmos motivos”.

Em virtude dos fatos elencados, são fundamentais ações que visem modificar o quadro de saneamento básico no Brasil. Logo, a máquina federal governamental, aliada às regionais, deve criar programas para melhorar as condições de saneamento básico nas áreas afetas pelo revés, por meio de verbas direcionadas, estudos e análises, promovidos pelo IBGE, para identificar as regiões e promover auxílio, com medidas projetadas por especialistas. Ademais, é dever da massa social e da esfera judicial fiscalizar os governantes, por meio de investigações e noticiações, a fim de eliminar práticas de corrupção que geram desigualdade social e inibem o desenvolvimento do país. Com essas medidas, a realidade brasileira se afasta daquela vivida pela Europa, durante o século XIV.