Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 01/07/2021

O filme “Bacurau” retrata a realidade da cidade brasileira que enfrenta, junto com outras mazelas, a falta de água potável e de saneamento básico. Não longe da ficção, é possível perceber essa situação sendo presenciada por milhões de pessoas no Brasil, que se veem sujeitas ao precário sistema de saneamento do país. Nesse contexto, a melhoria desse serviço é um desafio no Brasil e persiste devido, não só à falta de investimentos, mas também ao silenciamento sobre o assunto.

Em primeiro lugar, cabe destacar como problema, a lacuna em investimentos necessários para melhorar a situação do saneamento básico brasileiro. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimento no Brasil, somando setores público e privado, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. Em vista disso, é perceptível a precariedade do fornecimento púlico de subsídios essenciais para a garantia do abastecimento e manejo de resíduos da população, especialmente em regiões interioranas e periféricas, pois existe uma grande lacuna no acesso geral a esses serviços. Portanto, faz-se necessário que haja a vistoria adequada para a resolução do problema.

Em segunda instância, o silenciamento passa a ser outro fator motivante para a falta de democratização do saneamento básico. Corroborando com essa premissa, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Em síntese, é possível realizar grandes mudanças em relação à saúde pública quando o assunto passa a ser debatido, visto que o silenciamento sobre o tema impede que as necessidades públicas sejam conhecidas. Dessa forma, o tratamento e abastecimento de água, o esgotamento sanitário e a limpeza urbana, direito de todos os cidadãos brasileiros, só serão fornecidos de forma concreta quando a população se mobilizar a falar sobre e exigir seus direitos garantidos por lei.

Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do problema. Logo, é dever da Secretaria Nacional de Saneamento - órgão responsável pelo abastecimento hídrico e pelo tratamento de resíduos dos municípios brasileiros -  criar projetos com foco em áreas menos abastadas e sem acesso ao serviço público adequado, por meio da distribuição equalitária das verbas, para que essas regiões e seus moradores recebam a atenção devida e tenham suas necessidades fundamentais atendidas. Além disso, os funcionários desse órgão poderiam disponibilizar canais de atendimento e reclamação, por meio das redes sociais, a fim de que a população usufrua do direito de exigir e discutir sobre as melhorias que podem ser realizadas para que o problema seja solucionado.