Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 08/07/2021

No século XIV,a Peste Negra matou milhões de pessoas no continente europeu,pois o esgoto à céu aberto somado ao lixo descartado nos fossos dos castelos medievais provocaram a progressão dessa enfermidade. Entretanto,no Brasil,notam-se,também,desafios intrinsecamente ligados à problemática do saneamento básico,seja pela desigualdade social enraizada no país,seja pelo histórico descaso governamental.

Em primeiro lugar,a Carta Magna de 1988 assegura que os cidadãos gozem de direitos imprescindíveis - como o saneamento básico - para a manutenção da equidade social.Verifica-se,no entanto,certa discrepância entre a teoria com a realidade nacional,visto que apenas 45% dos brasileiros possuem,em suas residências,tratamento de esgoto.Em função disso,significativa parcela da sociedade - principalmente os habitantes dos rincões mais pobres do país - consome água contaminda,fenômeno correlacionado com os casos de disenteria e de leptospirose.

Outrossim,consoante o sociólogo Émile Durkheim,o fato social é o modo

coletivo de agir e de pensar,logo,um indivíduo que habita uma comunidade

negligente tende a adotar essa singularidade.Nesse contexto,à medida que

os lixões proliferam-se nas grandes cidades - segundo algumas pesquisas,

60% dos municípios brasileiros descartam resíduos em espaços à céu aberto -,os ínfimos investimentos estatais em coletas de lixo,aterros sanitários e serviços de reciclagem corroboram,cada vez mais,para o agravamento da poluição do solo,da água e do ar.

Urge,portanto,que as instituições nacionais cooperem para mitigar essa

problemática hodierna.Assim,visando diminuir a poluição da natureza,cabe ao Estado,por meio de parcerias público-privadas,criar projetos que substituam os lixões à céu aberto por aterros sanitários.Ademais,com o intuito de aumentar a reciclagem do isopor,do papel e do vidro - materiais que são pouco reaproveitados no país,cerca de 34%,43% e 47% respectivamente -,convém as ONGs promoverem a capacitação operacional plena nas cooperativas de coletas de lixo situadas nos centros urbanos.