Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro

Enviada em 15/07/2021

No livro “Ensaio para Cegueira” de José Saramago, uma doença infecciosa leva a falta de visão à população mundial. No contexto da história, um dos principais problemas era a ausência de higiene e as conquências disso para a saúde. Fora da ficção, pode-se relacionar o romance de Saramago com a situação precária do saneamento básico no Brasil: a falta de investimentos públicos nessa área - “cegueira política” -  ocasionam vários problemas à sociedade.

Em primeiro lugar, vale salientar o baixo nível de recursos, do Poder Público, destinados, principalmente, ao manejo do esgoto e dos resíduos sólidos. Nesse sentido, segundo o Instituto Trata Brasil, do valor direcionado ao saneamento básico pelas 100 maiores cidades brasileiras, a maior parte vai para o pagamento de funcionários e produtos químicos. Evidencia-se, diante disso, a falta de recursos estatais aliada a má gestão dos mesmos, uma vez que é urgente a construção de uma infra-estrututa que altere definitivamente essa realidade. Faz-se, assim, necessário um maior comprometimento político para a democratização desse direito.

Nota-se, outrossim, que durante as obras que viabilizem a universalização do saneamento básico, é preciso lidar com o impacto das doenças causadas pela contaminação do solo e das águas. Nesse contexto, as enfermidades ligadas a falta de tratamento de esgoto, como as verminoses, além de saturarem o sistema público de saúde, também agudizam as desigualdades no país. Nesse viés, diarreias constantes, por exemplo, atrapalham o desenvolvimento físico e intelectual das crianças, impedindo-as de ascenderem socialmente. Logo, urge, para pressionarem as autoridades a alterarem essa situação, uma união de todos os setores da sociedade.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para aumentar os investimentos públicos nessa área, faz-se necessária a votação, pelo Congresso Nacional, do fim do Teto de Gastos e ,a ação concomitante do Ministério do Desenvolvimento Regional para a realização das obras de saneamento. Dessa forma, tanto a qualidade de vida das pessoas, quanto a economia, serão beneficamente afetadas, e a cura para a “cegueira política” será, finalmente, alcançada.