Desafios para melhorar o precário saneamento básico brasileiro
Enviada em 26/07/2021
A obra cinematográfica “O Cortiço” retrata a realidade de moradores suburbanos do Rio de Janeiro que, por não possuem acesso ao saneamento básico, ficam exposto a situações de extrema miséria . Com essa abordagem, o filme revela a importância do serviço de esgoto a dignidade humana. Hodiernamente, fora da ficção, muitos brasileiros enfrentam situações semelhantes, o que corrobora a vulnerabilidade social causada pela proliferação de patologias. Dessa forma, pela irresponsabilidade governamental, além da falta de conscientização social, essas consequências se agravam na sociedade.
Com efeito, a negligência do Estado, no que tange à qualidade das redes de esgoto, é um dos fatores que fazem com que essa prática não se efetue. Nessa prerrogativa, a ausência de projetos sociais que visem sanar a precariedade do saneamento básico brasileiro contribui a precariedade desse setor e exposição populacional a fatores externos. Dessa maneira, parte dos cidadãos deixam de usufruir da limpeza pública, o que resulta na piora da saúde coletiva e desigualdade social. No entanto, apesar de a Constituição Federal de 1988 assegurar que toda pessoa deve receber tratamento de esgoto, limpeza e drenagem urbana como tratamento digno e essencial à sadia qualidade de vida, essa lei não vigora, visto que não há investimentos estatais nessa área.
Nota-se, outrossim, que a falta de conscientização social é um fator influente na constância desse dilema. Nesse aspecto, o desleixo populacional, no que se refere ao hábito de jogar lixo nas ruas, relativiza a importância da limpeza urbana. Por conseguinte, os dejetos depositados nos municípios causam alagamentos, fazendo com que a água transborde para dentro das casas e, dessa forma, doenças como leptospirose, ganhem mais força e afetem a saúde pública. Nesse contexto, a irrelevância comunitária quanto aos impactos do descarte inadequado do lixo no saneamento básico, concorda com a abordagem feita por Baumman, em sua obra “ Modernidade liquida”, quando afirma que, atualmente, as pessoas são fortemente influenciadas pelo egocentrismo.
Portanto, vistos os fatos que corroboram para a ineficácia do saneamento básico, é mister uma ação governamental e social. Logo, o Governo Federal deve intensificar os projetos de limpeza pública, por meio da ampliação das redes de esgoto e de acesso à água potável, abrangendo as comunidades carentes e habitações precárias, com o intuito de democratizar o saneamento coletivo e gerar um ambiente saudável à vida. Ademais, cabe ao Ministério da Educação divulgar as consequências da ausência de saneamento básico nas escolas, com o intuito de gerar indivíduos conscientes e melhorar a saúde coletiva. Dessa forma, diferente do “Cortiço”, a população viverá de forma digna.